Fale com a VMX

// Crescimento //

Análise de concorrência: como fazer na área comercial

Por · Publicado em · 9 min de leitura

Análise de concorrência na área comercial é o levantamento organizado de cinco coisas sobre cada concorrente que aparece nas suas vendas: oferta, preço, canal, argumento e prova social. Para fazer, liste os concorrentes que o cliente de fato compara com você (os motivos de perda no CRM mostram quais são), colete informação em fontes públicas e legítimas, organize tudo numa matriz e transforme a matriz em um battlecard por concorrente, com as objeções que ele gera e a resposta que o time deve dar.

O objetivo não é produzir um relatório bonito para a diretoria. É fazer o vendedor chegar mais preparado à reunião em que o cliente diz “o outro fornecedor faz por menos”. A análise alimenta o planejamento comercial, a política de preço e o treinamento do time, e faz parte do guia de crescimento comercial.

Quem são os seus concorrentes de verdade

O primeiro erro é analisar a empresa que o dono considera rival e esquecer quem tira vendas no dia a dia. Separe três grupos:

  • Concorrentes diretos: vendem a mesma solução para o mesmo cliente. São os que aparecem nos motivos de perda.
  • Concorrentes indiretos: resolvem o mesmo problema de outro jeito. Exemplo: para quem vende um software de gestão, a planilha e o sistema feito em casa são concorrentes.
  • “Não fazer nada”: o cliente decide manter tudo como está. Em muitas operações B2B, é a causa de perda mais frequente.

Uma forma prática de priorizar: puxe as oportunidades perdidas dos últimos seis a doze meses e conte quantas vezes cada concorrente aparece. Os três ou quatro mais citados são os que merecem matriz e battlecard. O restante pode esperar.

Se o CRM não tem o campo “perdido para quem”, crie agora, com lista fechada de opções e um campo de texto para o detalhe. Sem esse campo, a análise vira opinião.

O que levantar sobre cada concorrente

Oferta

O que vende, em que pacotes, com que escopo e para que tipo de cliente. Anote o que está incluído e o que é cobrado à parte, porque é aí que a comparação de preço costuma enganar.

Preço

Faixa de preço praticada, forma de cobrança (mensal, por projeto, por unidade), condições de pagamento e política de desconto percebida. Nem sempre o preço é público. Registre o que se sabe e de onde veio cada informação.

Canal

Por onde o concorrente chega ao cliente: vendedor próprio, representantes, parceiros, loja, comércio eletrônico, inside sales. Registre também a presença geográfica e os segmentos que ele atende com mais força.

Argumento

A promessa principal: o que ele diz que entrega e para quem. Leia o título do site, os anúncios e os materiais de venda. Em geral, um concorrente repete a mesma ideia em todos os canais.

Prova social

Que clientes, casos, números e avaliações ele mostra. A prova social diz qual público ele quer conquistar e quais objeções ele tenta responder.

Fontes legítimas de informação

Fonte O que mostra Cuidado
Site, blog e materiais públicos do concorrente Oferta, argumento, prova social, segmentos atendidos O site mostra o posicionamento desejado, não necessariamente a prática
Biblioteca de Anúncios da Meta Anúncios ativos no Facebook e no Instagram, com textos e criativos Mostra o que está no ar, não o resultado das campanhas
Central de Transparência de Anúncios do Google Anúncios veiculados por um anunciante no Google Idem: indica a mensagem, não o desempenho
Busca no Google pelos termos do seu mercado Quem aparece, com que título, em que posição Resultados variam por região e por histórico de quem busca
Avaliações públicas de clientes (Google, redes, sites de reclamação) Pontos fortes e fracos na visão de quem comprou Amostra enviesada: quem avalia costuma estar muito satisfeito ou muito insatisfeito
Perfis de empresa e de vendedores no LinkedIn Tamanho do time comercial, contratações, cargos abertos Vagas abertas dão pistas de expansão, não confirmam estratégia
Motivos de perda no CRM Com quem e por que você perde Depende da disciplina de registro do time
Conversa com o cliente Por que ele comparou, o que pesou na decisão Pergunte de forma aberta; não peça documentos sigilosos
Propostas que o cliente decide mostrar Escopo e preço reais Use só o que o cliente compartilhou por vontade própria

O que não fazer

  • Se passar por cliente com dados falsos para pedir proposta.
  • Pedir a ex-funcionários do concorrente informação confidencial, como lista de clientes ou tabela interna.
  • Usar material obtido por acesso indevido a sistemas, e-mails ou documentos.
  • Falar mal do concorrente para o cliente sem fato que sustente a afirmação.

Além do risco jurídico, essas práticas produzem informação pouco confiável e expõem a empresa. Na dúvida sobre o que é permitido, consulte o jurídico.

Matriz de concorrência: modelo

Monte uma planilha com uma linha por critério e uma coluna por concorrente, incluindo a sua empresa. Exemplo com concorrentes genéricos:

Critério Sua empresa Concorrente A Concorrente B Concorrente C
Cliente principal Médias empresas de serviços Pequenas empresas, todos os setores Grandes contas Médias empresas da região
Oferta Pacote com implantação e acompanhamento Produto padrão, implantação à parte Projeto sob medida Pacote semelhante ao seu
Faixa de preço Média Baixa Alta Média, com desconto agressivo
Forma de cobrança Mensal, contrato de 12 meses Mensal, sem fidelidade Por projeto Mensal
Canal Inside sales e indicação Comércio eletrônico Vendedores de campo Representantes
Argumento principal Resultado com acompanhamento Preço baixo e começo rápido Personalização Atendimento próximo
Prova social Casos por setor Número de clientes Grandes marcas Depoimentos locais
Ponto forte percebido pelo cliente Acompanhamento Preço Escopo Proximidade
Ponto fraco percebido pelo cliente Preço de entrada Suporte Prazo e custo Escala
Vezes em que apareceu nas perdas (12 meses) – n n n
Fonte e data da informação – Site, anúncios, CRM (mês/ano) Clientes, CRM Avaliações, CRM

Duas colunas fazem a diferença na prática: fonte e data (para saber quanto confiar e quando atualizar) e vezes nas perdas (para priorizar). Os pontos fortes e fracos devem vir do que os clientes disseram, não da opinião do time.

Na primeira versão da matriz, é normal descobrir que o time tinha uma ideia errada sobre por que perde. A comparação entre o que os vendedores dizem e o que os motivos de perda registrados mostram costuma ser a parte mais útil do trabalho. Para chegar lá, preencha as linhas de ponto forte e ponto fraco só depois de ler as perdas e conversar com alguns clientes ganhos e perdidos. O erro comum é preencher a matriz numa reunião interna, de memória, e chamar de análise o que é opinião do time.

Da matriz ao preço e ao posicionamento

A matriz mostra onde você está mais caro, mais barato ou igual. Isso não quer dizer que você deve mudar o preço. Três leituras comuns:

  • Você é mais caro e perde por preço: antes de baixar, confira se o cliente compara escopos iguais. Muitas vezes a proposta concorrente cobra à parte o que a sua inclui. O guia de formação de preço de venda mostra como calcular o limite de desconto sem destruir a margem.
  • Você é mais caro e ganha mesmo assim: existe um diferencial que o cliente valoriza. Descubra qual é e coloque no centro do argumento.
  • Você tem preço parecido e perde: o problema provavelmente não é preço. Olhe argumento, prova social, prazo e atendimento.

A matriz também alimenta o planejamento: segmentos em que nenhum concorrente é forte podem ser prioridade; segmentos dominados por um concorrente com preço baixo podem não valer o esforço.

Battlecard: transformando análise em argumento de venda

O battlecard é a parte da análise que chega ao vendedor. Uma página por concorrente, linguagem direta, atualizada a cada trimestre.

Modelo de battlecard

Concorrente: Concorrente A (genérico)

Quando aparece: pequenas empresas, primeiro contato pelo site, cliente com pressa para começar.

Onde é forte: preço de entrada baixo, contratação rápida, sem fidelidade.

Onde é fraco: implantação cobrada à parte, suporte apenas por chamado, sem acompanhamento.

Perguntas para fazer ao cliente:

  • “Quem vai configurar e treinar a equipe depois da contratação?”
  • “Se surgir um problema no primeiro mês, como vocês querem ser atendidos?”
  • “O valor que você recebeu inclui implantação e treinamento?”

Objeções comuns e resposta recomendada:

Objeção Resposta
“O outro é mais barato.” “Faz sentido comparar. Vamos colocar lado a lado o que está incluído em cada proposta, inclusive implantação e suporte, e ver o custo dos primeiros 12 meses.”
“Lá não tem contrato de 12 meses.” “O contrato existe porque a implantação e o acompanhamento estão incluídos. Posso mostrar o que acontece nos primeiros 90 dias?”
“Eles começam amanhã.” “Qual é a data em que você precisa do resultado? Vamos montar o cronograma a partir dela.”

Prova a usar: caso de cliente do mesmo porte que trocou de fornecedor (com autorização do cliente).

O que não dizer: qualquer crítica sem fato. Fale das diferenças, não do concorrente.

O artigo de objeções de vendas traz o método para responder às objeções em geral; o battlecard aplica esse método a um concorrente específico.

Battlecard que fica numa pasta não muda resultado. Para que o time use, treine com simulação: o gestor faz o papel do cliente, traz a objeção do concorrente e o vendedor responde usando a ficha. Faça isso na reunião semanal, um concorrente por vez, e ajuste a resposta recomendada quando ela não soar natural. Depois, acompanhe a taxa de ganho nas oportunidades em que aquele concorrente aparece. Se ela não muda em um ou dois trimestres, o problema pode estar na oferta ou no preço, e não no argumento.

Rotina de atualização

Frequência Ação Responsável
Toda semana Registrar no CRM o concorrente e o motivo em cada perda Vendedores
Todo mês Revisar os motivos de perda e anotar novidades (oferta, preço, campanha) Gestor comercial
Todo trimestre Atualizar a matriz e os battlecards; checar anúncios e site dos principais concorrentes Gestor comercial com marketing
Todo ano Revisar quem são os concorrentes prioritários e levar a análise para o planejamento Diretoria comercial

Checklist da análise de concorrência

  • O CRM tem campo obrigatório de concorrente e motivo de perda.
  • Os concorrentes prioritários foram escolhidos pela frequência nas perdas.
  • Cada informação da matriz tem fonte e data.
  • Os pontos fortes e fracos vêm do que os clientes disseram.
  • Existe um battlecard por concorrente prioritário, com objeções e respostas.
  • O time foi treinado no uso do battlecard.
  • Nenhuma informação veio de prática antiética ou de documento confidencial.
  • A matriz é revisada a cada trimestre.

Erros mais comuns

Analisar quem o dono acha que é concorrente. A lista certa sai dos motivos de perda, não da memória.

Esquecer o “não fazer nada”. Se a maior parte das perdas é para a inércia, o battlecard mais útil é o do status quo.

Comparar preço sem comparar escopo. A proposta mais barata pode ser só a menos completa.

Fazer uma vez e arquivar. Concorrente muda oferta, preço e argumento. Matriz sem data de atualização vira risco.

Ensinar o time a atacar o concorrente. O cliente percebe e desconfia. Diferença concreta convence mais que crítica.

A análise de concorrência é uma das entradas do crescimento comercial, junto com preço, planejamento e indicadores. Para ver como ela se encaixa no restante, volte ao guia de crescimento comercial.

Perguntas frequentes

O que é análise de concorrência em vendas?

É o levantamento organizado do que os concorrentes oferecem, quanto cobram, por onde vendem, que argumento usam e que prova social mostram, com o objetivo de ajudar o time comercial a se posicionar e a responder quando o cliente compara. Não é espionagem: usa informação pública e o que o próprio funil de vendas revela.

Quais fontes usar para analisar concorrentes?

Site e materiais públicos do concorrente, anúncios ativos na Biblioteca de Anúncios da Meta e na Central de Transparência de Anúncios do Google, resultados de busca, avaliações públicas de clientes, propostas que os próprios clientes decidem mostrar e, principalmente, os motivos de perda registrados no CRM.

O que é battlecard?

Battlecard é uma ficha curta, de uma página, sobre um concorrente específico: quando ele aparece, onde é forte, onde é fraco, as objeções que o cliente traz por causa dele e a resposta recomendada. Serve para o vendedor consultar antes de uma reunião ou durante a negociação.

Com que frequência atualizar a análise de concorrência?

Revise a matriz a cada trimestre e os battlecards sempre que os motivos de perda mudarem ou um concorrente lançar oferta, preço ou campanha nova. Uma análise de um ano atrás pode levar o vendedor a responder a uma objeção que o mercado já não faz.

É permitido se passar por cliente para obter preço do concorrente?

Não recomendamos. Além do risco ético e jurídico, a informação obtida assim costuma ser pouco confiável, porque a proposta depende do perfil que foi inventado. As fontes públicas e os dados do próprio funil dão uma visão mais útil e sustentável.

CEO do Grupo VMX

Geovane Martins é CEO do Grupo VMX, empresa de Belo Horizonte que ajuda empresas a venderem mais com consultoria comercial, marketing e recrutamento de vendedores. Escreve sobre gestão comercial, contratação de equipes de vendas e crescimento.

Fale com um especialista

// Fale com a VMX //

Fale com um especialista da VMX

Preencha os dados e continue a conversa no WhatsApp.

Ao enviar, você concorda em ser contatado pela VMX sobre este assunto.