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Account-based marketing (ABM): guia para vendas B2B

Por · Publicado em · 9 min de leitura

Account-based marketing (ABM) é uma estratégia B2B em que marketing e vendas escolhem juntos uma lista fechada de empresas-alvo e trabalham cada uma delas com ações sob medida para os seus decisores. A lógica do funil se inverte: em vez de atrair muitos contatos e filtrar quem tem perfil, você começa pela conta que quer conquistar e concentra o esforço nela. O ABM vale a pena quando o ticket é alto, o número de clientes possíveis é limitado e a decisão de compra envolve várias pessoas.

O guia de marketing apresenta os canais e o funil de marketing. Este artigo mostra quando o ABM faz sentido, como escolher as contas, como mapear os decisores, que ações usar em cada conta e como medir, com um plano de 90 dias para começar.

O que é ABM e como ele se diferencia do inbound

No marketing B2B tradicional, o funil começa largo: muitos visitantes, alguns leads, poucos clientes. No ABM, a lista de empresas é definida antes de qualquer campanha, e todo o esforço vai para elas.

Critério Inbound ABM
Ponto de partida Conteúdo para quem pesquisa o problema Lista de contas escolhidas por marketing e vendas
Quem é atingido Quem encontra a empresa Decisores de empresas específicas
Personalização Por tema ou persona Por setor, grupo de contas ou conta individual
Unidade de medida Lead Conta
Papel de vendas Recebe o lead qualificado Participa desde a escolha das contas
Funciona melhor quando Muita gente pesquisa a solução Poucas empresas podem comprar, ticket alto

Os dois não competem. O conteúdo produzido no inbound vira munição para o ABM, e uma conta-alvo que visita o site ou baixa um material é um sinal de que vale acelerar a abordagem. O guia de marketing B2B mostra como os canais B2B se encaixam.

Quando o ABM vale a pena

O ABM exige trabalho manual e coordenação entre áreas. Ele compensa quando a maioria das condições abaixo é verdadeira:

  • Ticket alto: cada cliente novo paga o tempo investido em pesquisar e personalizar a abordagem.
  • Mercado limitado: o número de empresas que podem comprar é conhecido e dá para listar.
  • Decisão em grupo: várias pessoas influenciam a compra, como diretoria, área técnica, compras e financeiro.
  • Ciclo longo: a venda leva meses, e manter a conta aquecida faz diferença.
  • Contas valiosas para expansão: um cliente pode comprar mais ao longo do tempo, em outras unidades ou áreas.

Se o seu ticket é baixo, o ciclo é curto e qualquer empresa pode comprar, o ABM tende a sair caro demais por cliente. Nesse caso, canais de volume resolvem melhor.

Os 3 níveis de ABM

O ABM não é um formato único. Ele varia conforme o número de contas e o grau de personalização.

Os três níveis de account-based marketing: um para um, um para poucos e um para muitos Comparação dos três níveis de ABM, do mais personalizado ao mais amplo. Um para um: poucas contas estratégicas, personalização total, com conteúdo e proposta feitos para aquela empresa; exemplo: diagnóstico com dados públicos da conta, apresentado ao comitê de decisão. Um para poucos: grupos de contas com o mesmo perfil, personalização por grupo, mesmo setor ou mesmo desafio; exemplo: material sobre o desafio do setor e evento fechado para o grupo. Um para muitos: listas maiores do perfil ideal, personalização leve por setor, cargo e nome da empresa; exemplo: anúncios segmentados para a lista e cadência com mensagem por setor. Quanto menos contas, mais personalização. Para quem está começando, o um para poucos costuma ser o melhor ponto de partida. // ACCOUNT-BASED MARKETING // Os 3 níveis de ABM Menos contas, mais personalização. UM PARA UM Poucas contas estratégicas Personalização total: conteúdo e proposta feitos para a empresa Ex.: diagnóstico com dados públicos, apresentado ao comitê de decisão UM PARA POUCOS PARA COMEÇAR Grupos de contas parecidas Personalização por grupo: mesmo setor ou mesmo desafio Ex.: material sobre o desafio do setor e evento fechado para o grupo UM PARA MUITOS Listas maiores do perfil ideal Personalização leve: setor, cargo e nome da empresa Ex.: anúncios para a lista e cadência com mensagem por setor Só entram contas que o time trabalha toda semana. GRUPOVMX.COM/CONTEUDOS
Nível Número de contas Personalização Exemplo de ação
Um para um Poucas contas estratégicas Total: conteúdo e proposta feitos para aquela empresa Diagnóstico com dados públicos da conta, apresentado ao comitê de decisão
Um para poucos Grupos de contas com o mesmo perfil Por grupo: mesmo setor, mesmo desafio Material sobre o desafio do setor, evento fechado para o grupo
Um para muitos Listas maiores do perfil ideal Leve: setor, cargo, nome da empresa Anúncios segmentados para a lista e cadência com mensagem por setor

A maioria das empresas que está começando se dá melhor com o um para poucos: dá para personalizar o suficiente sem criar tudo do zero para cada conta. O um para um fica para as poucas contas que, sozinhas, mudam o ano da empresa.

Como selecionar as contas-alvo

A lista de contas é a decisão mais importante do ABM. Ela precisa ser feita por marketing e vendas juntos, e partir do perfil de cliente ideal: as características das empresas que mais compram, pagam bem e ficam mais tempo.

Uma matriz simples de priorização, com nota de 1 a 3 para cada critério:

Critério O que avaliar Nota
Aderência ao perfil ideal Setor, porte, região e modelo de venda parecidos com os melhores clientes 1 a 3
Potencial de receita Tamanho da oportunidade, incluindo expansão futura 1 a 3
Sinal de momento Contratações na área, expansão, troca de liderança, mudança de regra no setor 1 a 3
Acesso Já existe algum contato, indicação ou cliente em comum 1 a 3

Contas com nota máxima vão para o nível um para um ou para o primeiro grupo do um para poucos. As demais ficam em espera ou entram no um para muitos.

Orientação prática: comece com uma lista menor do que parece necessário. É melhor trabalhar bem um grupo pequeno de contas toda semana do que ter uma lista longa em que a maioria nunca recebe uma ação.

Mapa de decisores por conta

Em venda B2B complexa, raramente uma pessoa decide sozinha. O mapa de decisores lista quem participa da compra em cada conta e o que cada um precisa ouvir.

Papel na decisão Quem costuma ser O que importa para essa pessoa Mensagem que funciona
Decisor econômico Dono, diretor geral, diretor financeiro Retorno, risco, prazo Impacto no resultado e no caixa
Usuário ou gestor da área Diretor ou gerente da área que vai usar Problema do dia a dia, carga do time Como a solução resolve a dor da área
Influenciador técnico TI, jurídico, engenharia Segurança, integração, conformidade Respostas técnicas claras, sem rodeio
Compras Setor de suprimentos Preço, condições, processo Proposta organizada e comparável
Aliado interno Quem mais sente o problema Ser ouvido e ter apoio para levar a ideia adiante Material para ele apresentar internamente

Para cada conta-alvo, preencha o mapa com nomes e cargos reais, de onde veio a informação e qual a relação atual com cada pessoa (sem contato, conectado, já conversou). O mapa vive no CRM, dentro do registro da empresa, e é atualizado a cada interação.

O LinkedIn é a principal fonte para montar esse mapa e para o primeiro contato com cada decisor. O guia de LinkedIn para vendas mostra como preparar o perfil do vendedor e abordar sem pitch no convite.

Ações por conta

A ação certa depende do nível e do estágio da conta. Um cardápio para combinar:

Para chamar atenção (conta sem contato):

  • Conteúdo sobre o desafio do setor da conta, enviado ou compartilhado com os decisores.
  • Anúncios segmentados para a lista de empresas e cargos.
  • Comentários e interação com as publicações dos decisores.

Para abrir conversa (conta com algum contato):

  • Diagnóstico com dados públicos da empresa, oferecido em uma conversa curta.
  • Convite para um evento fechado, como um café da manhã ou uma mesa-redonda com empresas do mesmo setor.
  • Indicação de um cliente em comum.

Para avançar a oportunidade (conta em negociação):

  • Material para o aliado interno apresentar à diretoria.
  • Reunião com o comitê de decisão, com cada papel respondido.
  • Visita a um cliente parecido, quando possível.

Cada ação fica registrada no CRM com a data e a reação da conta. Sem registro, ninguém sabe o que já foi tentado, e a conta recebe a mesma mensagem de pessoas diferentes.

Uma ponte natural com o ABM são as feiras do setor: a lista de contas-alvo vira a agenda de reuniões no evento, marcadas semanas antes, e o estande deixa de depender de quem passa pelo corredor.

Papéis de marketing e vendas no ABM

O ABM só funciona com os dois times trabalhando a mesma lista. A divisão de papéis precisa estar clara:

Atividade Marketing Vendas
Escolha das contas Traz dados de mercado e de engajamento Traz conhecimento das contas e do histórico
Mapa de decisores Pesquisa e organiza Valida e completa nas conversas
Conteúdo e campanhas Produz e distribui Indica o que a conta precisa ouvir
Abordagem direta Apoia com material Faz o contato e conduz a conversa
Acompanhamento Monitora sinais de engajamento Atualiza o estágio da conta no CRM
Revisão Reunião semanal conjunta, conta por conta Reunião semanal conjunta, conta por conta

A reunião semanal conjunta é o coração do ABM: para cada conta, o que aconteceu, qual o próximo passo e quem faz. O guia de alinhamento entre marketing e vendas traz modelos de acordo e de rotina entre as áreas.

Métricas de conta

No ABM, a unidade de medida é a conta. Métricas de lead, como volume e custo por lead, não servem.

Métrica O que mostra
Cobertura Percentual dos decisores mapeados em cada conta com quem já houve contato
Engajamento Contas com interação recente: resposta, visita ao site, presença em evento
Contas com reunião Quantas contas da lista tiveram pelo menos uma reunião
Oportunidades abertas Quantas contas viraram oportunidade no funil
Pipeline da lista Valor das oportunidades abertas com contas da lista
Receita da lista Quanto da receita nova veio das contas-alvo
Tempo de ciclo Quanto tempo as contas da lista levam para fechar, comparado com as demais

Acompanhe as três primeiras toda semana, porque elas mostram se o trabalho está acontecendo. As de pipeline e receita aparecem no ritmo do ciclo de venda.

Plano de 90 dias para começar

Um plano possível para uma empresa B2B que nunca fez ABM, no formato um para poucos:

Período Frente O que fazer Entrega
Semanas 1 e 2 Lista Definir perfil ideal e escolher as contas com a matriz de priorização Lista de contas aprovada por marketing e vendas
Semanas 3 e 4 Mapa Mapear decisores de cada conta e registrar no CRM Mapa de decisores por conta
Semanas 3 e 4 Conteúdo Produzir um material sobre o desafio de cada grupo de contas Um material por grupo
Mês 2 Abordagem Cadência com os decisores: conexão, conteúdo, convite para conversa Primeiras reuniões
Mês 2 Rotina Reunião semanal conjunta, conta por conta Próximo passo definido para cada conta
Mês 3 Aceleração Evento fechado ou diagnóstico para as contas engajadas Oportunidades abertas
Mês 3 Revisão Comparar métricas da lista com o restante do funil Decisão: ampliar, ajustar ou trocar contas

No fim dos 90 dias, você terá dados para decidir se o ABM merece mais contas, outro nível de personalização ou uma lista diferente.

Erros comuns no ABM

Lista feita só pelo marketing. Vendas não reconhece as contas e não se compromete com a abordagem.

Lista grande demais. O time não dá conta, e o ABM vira uma prospecção comum com outro nome.

Personalização só no nome. Trocar o nome da empresa no e-mail não é ABM. A mensagem precisa falar do desafio real da conta ou do setor.

Falar com uma pessoa só. Quando o único contato sai da empresa ou perde a disputa interna, a oportunidade morre junto.

Medir por leads. O ABM gera poucos leads por definição. Medir por volume faz o projeto parecer um fracasso quando está funcionando.

Checklist de ABM

  • O ticket e o tamanho do mercado justificam o trabalho por conta.
  • A lista de contas foi escolhida por marketing e vendas juntos, a partir do perfil ideal.
  • Cada conta tem nível definido (um para um, um para poucos ou um para muitos).
  • O mapa de decisores está no CRM, com nomes, cargos e relação atual.
  • Há uma mensagem ou material para o desafio de cada grupo de contas.
  • Toda ação feita na conta é registrada.
  • Existe uma reunião semanal conjunta, conta por conta.
  • As métricas são de conta, não de lead.

Perguntas frequentes

O que é account-based marketing (ABM)?

É uma estratégia B2B em que marketing e vendas escolhem juntos uma lista fechada de empresas-alvo e criam ações sob medida para os decisores de cada uma. Em vez de atrair muitos leads e filtrar depois, o ABM começa pela conta que a empresa quer conquistar.

Qual a diferença entre ABM e inbound marketing?

O inbound atrai quem pesquisa o problema e filtra depois; o ABM escolhe as empresas antes e vai até elas. O inbound mede leads e conversão; o ABM mede o avanço de cada conta, como decisores engajados, reuniões e oportunidades abertas. Os dois podem funcionar juntos.

ABM funciona para empresa pequena?

Funciona quando a empresa vende para outras empresas, com ticket alto e um número limitado de clientes possíveis. Uma operação pequena pode começar com poucas contas no formato um para poucos, usando o vendedor, o LinkedIn e conteúdos adaptados por setor, sem ferramenta específica.

Quantas contas colocar no ABM?

Depende do nível escolhido e da capacidade do time. No um para um, poucas contas estratégicas por vendedor; no um para poucos, grupos de contas parecidas; no um para muitos, listas maiores com personalização leve. A regra é só incluir contas que o time consegue trabalhar de verdade toda semana.

Como medir o resultado do ABM?

Por conta, não por lead: quantos decisores de cada conta foram alcançados e engajados, quantas contas têm reunião, quantas viraram oportunidade e quanto do pipeline e da receita vem da lista-alvo. O número de leads gerados não é uma boa métrica para ABM.

COO do Grupo VMX

Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.

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