Para anunciar no Google Ads e gerar leads, a empresa deve começar por uma campanha na rede de pesquisa, organizada em grupos de anúncios por intenção de busca (o serviço, o serviço com a região e o problema que o cliente quer resolver), com uma lista de palavras negativas desde o primeiro dia, uma página de destino específica para cada grupo e a conversão rastreada até o CRM, para que o Google aprenda com o lead qualificado e não só com o formulário enviado. Com isso pronto, a verba inicial precisa gerar dados suficientes para decidir em cerca de 8 semanas.
Este artigo é o passo a passo de execução. A comparação entre plataformas, a conta de verba por custo por lead e o papel do remarketing estão no guia de tráfego pago para empresas. E o lugar do Google Ads entre os outros canais de demanda está no guia de marketing.
Antes de criar a campanha: três decisões
Três coisas precisam estar decididas antes de abrir o Google Ads. Sem elas, a conta vai otimizar para o número errado.
- Qual é o lead que interessa. Escreva em uma frase: “empresa de serviços com 5 a 50 vendedores, em SP, que quer estruturar o comercial”. Essa frase vai orientar palavras-chave, anúncio e página. O artigo de qualificação de leads mostra como transformar o perfil em critérios objetivos.
- Quanto você pode pagar por cliente. Sem um teto de custo por cliente, qualquer custo por lead parece caro ou barato demais. A conta de margem e retorno está no guia de CAC e LTV.
- Quem responde o lead e em quanto tempo. Lead de pesquisa costuma estar comparando opções. Quem demora a responder entrega o lead para o próximo resultado da busca.
Estrutura da campanha por intenção
O erro mais comum na primeira campanha é jogar todas as palavras-chave num único grupo de anúncios. O anúncio fica genérico, a página não conversa com a busca e não dá para saber qual intenção traz cliente. Separe por intenção.
| Grupo de anúncios | Exemplos de busca | O que o anúncio diz | Página de destino |
|---|---|---|---|
| Serviço | “consultoria comercial”, “consultoria de vendas para empresas” | O que é entregue e para quem | Página do serviço |
| Serviço + local | “consultoria comercial em Campinas”, “consultoria de vendas SP” | Atendimento na região, presencial ou remoto | Página do serviço com a região citada |
| Problema | “como estruturar equipe de vendas”, “vendas caindo o que fazer” | O problema com as palavras do cliente e o primeiro passo | Página focada no problema, com diagnóstico como oferta |
| Marca (campanha separada) | nome da empresa | Canal direto para falar com o time | Página de contato ou do serviço principal |
O grupo de problema costuma ter mais volume e menos intenção de compra imediata. Vale manter separado justamente para comparar custo por lead qualificado entre os grupos, e não só custo por clique.
Tipos de correspondência
O Google Ads tem três tipos de correspondência de palavra-chave, segundo a central de ajuda da plataforma (“Sobre as opções de correspondência de palavra-chave”):
- Ampla: é o padrão. O anúncio pode aparecer em buscas relacionadas, mesmo sem as palavras da palavra-chave.
- Frase (entre aspas, como
"consultoria comercial"): buscas que mantêm o sentido da palavra-chave. - Exata (entre colchetes, como
[consultoria comercial]): buscas com o mesmo significado. Dá mais controle e alcança menos buscas.
Na primeira campanha, com verba limitada, comece por frase e exata. A correspondência ampla funciona melhor quando a conta já tem conversões rastreadas e lance automático, porque o sistema precisa de sinal para saber quais buscas relacionadas valem a pena. O Google tem mudado com frequência a forma como a correspondência ampla e os recursos automáticos funcionam nas campanhas de pesquisa. Antes de ativar qualquer opção de expansão automática de buscas, leia a descrição atual na central de ajuda e acompanhe o relatório de termos de pesquisa nas semanas seguintes.
Anúncios
O formato padrão da rede de pesquisa é o anúncio responsivo, em que você cadastra vários títulos e descrições e o Google combina. Segundo a central de ajuda do Google Ads (“Sobre os anúncios responsivos de pesquisa”), cada anúncio aceita até 15 títulos de até 30 caracteres e até 4 descrições de até 90 caracteres.
Três regras práticas para os textos:
- Repita a intenção do grupo no primeiro título. Quem buscou “consultoria comercial em Campinas” precisa ver “Campinas” no anúncio.
- Diga para quem é. “Para empresas com equipe de vendas” afasta quem procura emprego ou curso, e isso economiza clique.
- Diga o próximo passo e o que acontece depois: “diagnóstico em 30 minutos”, “retorno no mesmo dia”. Só prometa o que o time cumpre.
Palavras negativas desde o primeiro dia
Palavra negativa impede o anúncio de aparecer numa busca. Em serviços B2B, boa parte do desperdício vem de buscas de quem não é empresa: candidatos a vaga, estudantes, quem procura material gratuito.
Lista inicial de negativas para serviços B2B (ajuste ao seu negócio):
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Emprego e carreira | vaga, vagas, emprego, salário, currículo, trabalhe conosco, estágio |
| Educação | curso, faculdade, apostila, tcc, o que é, conceito, significado |
| Gratuito | grátis, gratuito, download, pdf, modelo grátis |
| Faça você mesmo | sozinho, passo a passo para iniciantes (só se não for o seu público) |
| Fora do perfil | MEI, autônomo, pessoa física (quando você atende só empresas) |
| Regiões que você não atende | nomes de cidades e estados fora da área |
Cuidado com negativas que cortam bons leads. “O que é” afasta pesquisa escolar, mas pode afastar um gestor que está começando a entender o problema. Use o relatório de termos de pesquisa para decidir com dados, não por suposição.
Um jeito prático de manter a lista: toda semana, exporte o relatório de termos de pesquisa, marque os termos que trouxeram clique sem perfil e cruze com os leads do CRM. Termo que gerou lead desqualificado mais de uma vez vira negativa. O erro comum é negativar só pelo texto da busca, sem olhar o lead que ela gerou, e cortar justamente uma busca que traz cliente com outro vocabulário.
Conversão rastreada até o CRM
Se o Google só recebe “formulário enviado”, ele vai buscar mais formulários enviados, com ou sem perfil. Para a campanha aprender a trazer cliente, o Google precisa saber quais leads viraram lead qualificado, oportunidade e venda.
O caminho mais comum:
- Ative a codificação automática na conta, para que cada clique leve o identificador de clique do Google (GCLID) na URL.
- Capture o GCLID na página em um campo oculto do formulário e grave junto com o lead no CRM. Se o lead vai para o WhatsApp, registre a origem na abertura da conversa.
- Marque as etapas no CRM: lead, lead qualificado, oportunidade, venda.
- Envie as etapas de volta ao Google pela importação de conversões off-line (por planilha, integração do CRM ou API).
Segundo a central de ajuda do Google Ads, conversões enviadas mais de 90 dias depois do último clique associado não são importadas. Em vendas de ciclo longo, isso é um motivo a mais para enviar a etapa de lead qualificado, que acontece em dias, e não só a venda, que pode levar meses. O Google também oferece as conversões otimizadas para leads, que usam dados do formulário criptografados em vez do GCLID. Segundo a central de ajuda (“Sobre as conversões otimizadas para leads”), o recurso exige aceitar os termos de dados do cliente, manter a codificação automática ativa e capturar no formulário pelo menos um identificador do lead, de preferência o e-mail, ou o telefone com código do país. Como as opções de implementação mudam, confira o passo a passo atual antes de configurar.
Modelo de mapeamento de conversões:
| Etapa no CRM | Ação de conversão no Google Ads | Usada para otimizar o lance? | Valor |
|---|---|---|---|
| Formulário enviado | Lead (formulário) | Não, depois que houver volume de lead qualificado | — |
| Lead qualificado (critério do SLA) | Lead qualificado | Sim | Valor médio esperado por lead qualificado |
| Reunião realizada | Oportunidade | Opcional | Valor médio esperado por oportunidade |
| Contrato assinado | Venda | Não no início (pouco volume) | Valor do contrato |
No começo, com poucas conversões, a campanha otimiza pelo formulário. Quando a etapa de lead qualificado tiver volume regular, troque a conversão principal.
Verba inicial e lance
A central de ajuda do Google Ads (“Sobre orçamentos diários médios”) explica duas regras que confundem quem está começando: num dia, a campanha pode gastar até o dobro do orçamento diário médio; no mês, o Google não cobra mais que 30,4 vezes o orçamento diário médio. Para planejar, pense em verba mensal e divida por 30,4.
Roteiro para definir a verba:
- Use o Planejador de palavras-chave para estimar o custo por clique das buscas de cada grupo na sua região.
- Estime a taxa de conversão da página. Sem histórico, deixe a premissa explícita e revise na quarta semana.
- Calcule o custo por lead estimado: custo por clique dividido pela taxa de conversão.
- Multiplique pelo número de leads que você precisa para observar conversão em vendas, como no exemplo do guia de tráfego pago.
- Concentre a verba em poucos grupos. Verba espalhada em dez grupos gera poucos dados em cada um.
Sobre o lance: comece por uma estratégia simples (maximizar cliques com teto de custo por clique, ou maximizar conversões quando o rastreamento estiver testado). CPA desejado e outras estratégias que dependem de histórico fazem mais sentido quando a conta já tem conversões regulares. A central de ajuda do Google indica que o CPA desejado recomendado é calculado com os dados dos últimos 30 dias da conta.
Não existe custo por clique “normal” para o Google Ads. Ele varia por palavra-chave, região, concorrência no leilão e qualidade do anúncio. Desconfie de tabelas de “custo médio por setor” sem fonte e sem data: a referência que vale é a estimativa do Planejador de palavras-chave para as suas buscas e, depois, o custo real da sua conta nas primeiras semanas.
Índice de qualidade e página de destino
O Google avalia cada palavra-chave por três componentes, segundo a central de ajuda (“Sobre o Índice de qualidade”): taxa de cliques esperada, relevância do anúncio e experiência na página de destino. Cada um recebe o status acima da média, na média ou abaixo da média, em comparação com outros anunciantes na mesma palavra-chave nos últimos 90 dias.
Na prática, os três se resolvem com a estrutura por intenção: grupo pequeno, anúncio que repete a busca e página que fala do mesmo assunto. O passo a passo da página está no artigo sobre landing page.
As 8 primeiras semanas
| Semana | Foco | O que fazer | O que não fazer |
|---|---|---|---|
| 1 | Rastreamento | Testar formulário, GCLID, chegada no CRM e alerta para o time | Mexer em lance ou verba |
| 2 | Termos de pesquisa | Ler o relatório de termos e adicionar negativas | Pausar grupo com poucos dias de dados |
| 3 | Atendimento | Medir tempo até o primeiro contato e taxa de contato | Culpar a campanha antes de medir o atendimento |
| 4 | Primeira leitura | Comparar custo por lead qualificado entre os grupos | Avaliar só custo por clique |
| 5 | Anúncios | Trocar os textos com pior desempenho dentro do grupo | Trocar todos os anúncios de uma vez |
| 6 | Verba | Mover verba para o grupo com menor custo por lead qualificado | Aumentar a verba total de forma brusca |
| 7 | Conversões | Começar a importar lead qualificado, se houver volume | Trocar a meta de lance sem volume |
| 8 | Decisão | Custo por oportunidade e primeiras vendas: escalar, ajustar ou parar | Decidir pela opinião de quem gere a conta |
Mudanças grandes de verba, lance ou conversão reiniciam o aprendizado do lance automático. Faça uma mudança relevante por vez e anote a data, para saber o que causou cada variação.
Para a decisão da semana 8, combine antes o critério com quem decide. Por exemplo: escalar se o custo por oportunidade estiver abaixo do teto calculado a partir do CAC aceitável; ajustar se houver leads qualificados, mas o custo estiver acima do teto; parar ou rever a oferta se quase nenhum lead tiver perfil. Critério definido antes evita que a decisão vire disputa de opinião.
Rotina semanal de 30 minutos
- Ler o relatório de termos de pesquisa e adicionar negativas.
- Conferir se todos os leads da semana chegaram ao CRM com origem.
- Conferir o tempo de primeiro contato e quantos leads não foram atendidos.
- Comparar custo por lead qualificado por grupo de anúncios.
- Registrar as mudanças feitas e a data.
Relatório que importa para o dono da empresa
Relatório de Google Ads que mostra só impressões, cliques e custo por lead não permite decidir. Peça este modelo, por grupo e no total:
| Métrica | Semana | Mês | Meta |
|---|---|---|---|
| Investimento | |||
| Leads | |||
| Leads qualificados | |||
| Custo por lead qualificado | |||
| Oportunidades (reuniões realizadas) | |||
| Custo por oportunidade | |||
| Vendas e receita | |||
| Custo por cliente (CAC do canal) |
O que observar nesse relatório: o grupo com o menor custo por lead nem sempre é o que tem o menor custo por lead qualificado. Quando os dois números apontam para grupos diferentes, siga o custo por lead qualificado e o custo por oportunidade. E se a coluna de leads qualificados estiver vazia, o problema é de registro no CRM, não de campanha: resolva isso antes de mexer em verba.
Erros mais comuns
Uma campanha com todas as palavras-chave. Sem separação por intenção, não dá para saber o que traz cliente.
Sem negativas. O anúncio aparece para candidatos a vaga e estudantes, e o custo vai para cliques sem perfil.
Otimizar para formulário enviado para sempre. O Google aprende a trazer formulário, não cliente.
Página inicial como destino. A busca era específica; a página não.
Mexer em tudo toda semana. O aprendizado nunca termina e nenhuma mudança pode ser avaliada.
Conta de anúncios no nome do fornecedor. O histórico é da empresa e deve ficar com ela.
Checklist da primeira campanha
- Perfil do lead que interessa escrito em uma frase.
- Teto de custo por cliente definido.
- Grupos de anúncios separados por intenção: serviço, serviço + local, problema.
- Campanha de marca separada.
- Palavras-chave em frase e exata no início.
- Lista de negativas cadastrada.
- Anúncios que repetem a busca e dizem para quem é o serviço.
- Página de destino específica por grupo.
- GCLID capturado e gravado no CRM.
- Etapas do CRM mapeadas para ações de conversão.
- Responsável e prazo de primeiro contato definidos.
- Verba mensal planejada pela regra dos 30,4 dias.
- Conta de anúncios no nome da empresa.
Perguntas frequentes
Quanto investir no Google Ads para começar?
O suficiente para gerar dados de conversão em 60 a 90 dias. Parta do custo por clique estimado no Planejador de palavras-chave, da taxa de conversão esperada da página e do número de leads que você precisa para avaliar a conversão em vendas. Lembre que o Google pode gastar até o dobro do orçamento diário num dia, mas não cobra mais que 30,4 vezes o orçamento diário médio no mês.
Qual tipo de campanha usar no Google Ads para gerar leads B2B?
Comece pela rede de pesquisa, porque ela alcança quem já está procurando o que você vende e permite controlar palavras-chave, termos negativos e mensagens. Outros formatos, como Performance Max e Display, fazem mais sentido depois que a conta já tem conversões rastreadas e você sabe quais buscas trazem cliente.
Por que meu Google Ads gera muitos leads ruins?
As causas mais comuns são palavras-chave amplas sem lista de negativas, anúncios que não filtram (sem dizer para quem é o serviço) e campanha otimizada para formulário enviado em vez de lead qualificado. Revise o relatório de termos de pesquisa toda semana e mande para o Google a conversão de lead qualificado registrada no CRM.
Em quanto tempo o Google Ads dá resultado?
Os primeiros leads podem chegar na primeira semana, mas a leitura confiável leva mais tempo. As estratégias de lance automático passam por um período de aprendizado depois de cada mudança relevante, e o ciclo de venda da empresa define quando os primeiros clientes aparecem. Planeje pelo menos 8 semanas antes de decidir escalar ou parar.
Vale a pena anunciar no Google com o próprio nome da empresa?
Na maioria dos casos, sim, numa campanha separada e com verba pequena. Quem busca o nome da empresa já quer falar com você, e o anúncio garante que o primeiro resultado leve para a página certa. Separar essa campanha evita que ela infle os resultados das campanhas que buscam clientes novos.
COO do Grupo VMX
Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.