Fale com a VMX

// Segmentos //

Vendas no varejo: processo e gestão da equipe

Por · Publicado em · 12 min de leitura

Vendas no varejo dependem de três coisas: transformar o fluxo da loja em compra, fazer cada compra render mais e trazer o cliente de volta. Na prática, isso significa um atendimento com etapas claras na loja e no WhatsApp, um follow-up para quem saiu sem comprar, uma lista de clientes trabalhada com frequência, metas por vendedor que olham conversão, ticket médio e peças por atendimento, e um gerente de loja com rotina de gestão, não de tarefa.

O guia de vendas por segmento mostra como o varejo se diferencia de serviços, indústria e B2B. Este artigo detalha o processo e a gestão da equipe de vendas no varejo, com modelos para aplicar na loja.

Os números que explicam a venda da loja

O faturamento de uma loja pode ser decomposto numa conta simples:

Faturamento = atendimentos × taxa de conversão × peças por atendimento × preço médio por peça

Cada termo aponta para um tipo de problema diferente:

Indicador Se estiver baixo, olhe para
Atendimentos (fluxo) Vitrine, localização, campanhas, divulgação, contatos da base
Taxa de conversão Abordagem, conhecimento de produto, estoque, preço, tempo de espera
Peças por atendimento Venda complementar, exposição, treinamento do time
Preço médio por peça Mix de produtos, argumentação de valor, excesso de desconto

A conta mostra por que “vender mais” é um objetivo inútil para o time de loja. Uma loja com conversão de 20% que passa para 25% fatura 25% a mais com o mesmo fluxo. Uma loja que vende 1,4 peça por atendimento e passa para 1,7 cresce mais de 20% sem nenhum cliente novo. Os percentuais são ilustrativos, mas a lógica vale para qualquer loja.

Para medir conversão, você precisa contar o fluxo. Contador de pessoas na porta é o ideal; na falta dele, uma folha em que cada vendedor marca os atendimentos já resolve. Sem fluxo, a loja só sabe quanto vendeu, não quanto deixou de vender.

O atendimento na loja, etapa por etapa

Atendimento de loja também é processo. Quando cada vendedor atende do seu jeito, a conversão depende de quem estava na porta. Um roteiro de seis etapas:

  1. Abordagem. Cumprimentar em poucos segundos, sem pressionar. Uma pergunta aberta funciona melhor do que “posso ajudar?”, que convida ao “só estou olhando”.
  2. Sondagem. Entender para quem é, para que ocasião, o que a pessoa já tem, o que ela não gostou em outras lojas. É o diagnóstico do varejo, e costuma levar um ou dois minutos.
  3. Apresentação. Mostrar poucas opções ligadas ao que foi dito na sondagem. Muita opção atrasa a decisão.
  4. Venda complementar. Sugerir o item que completa a compra (o acessório, o produto de cuidado, a peça que combina). É aqui que nascem as peças por atendimento.
  5. Fechamento. Conduzir ao caixa, apresentar as formas de pagamento, resolver a última dúvida.
  6. Cadastro e pós-venda. Pegar nome e WhatsApp, com autorização para contato, e combinar um motivo para voltar a falar (chegada de reposição, ajuste, nova coleção).

A etapa 6 é a que mais se perde. Sem cadastro, a loja não tem lista de clientes, e sem lista, depende só de quem passa na porta.

Para achar a etapa em que a sua loja perde mais, o gerente observa dez atendimentos de cada vendedor numa semana e marca, para cada um, até onde ele chegou no roteiro. Se muitos param na apresentação, falta sondagem. Se a venda fecha mas sai com uma peça só, falta venda complementar. Se quase ninguém tem cadastro no fim do dia, a etapa 6 nem começou. Ajuste uma etapa por vez e compare a conversão e as peças por atendimento das quatro semanas seguintes com as quatro anteriores.

Loja física e WhatsApp: um processo só

No varejo, o WhatsApp não é um canal separado da loja. O cliente pergunta preço antes de sair de casa, manda foto do que quer, pede para separar uma peça, tira dúvida depois da compra. Tratar o WhatsApp como “o celular da loja que alguém responde quando dá” é perder venda.

Atendimento pelo WhatsApp

Defina quatro regras:

  • Quem responde. Um número da empresa, com vendedores responsáveis por turno, ou uma ferramenta que distribui as conversas. Celular pessoal do vendedor leva o cliente embora junto quando ele sai.
  • Em quanto tempo. Um tempo máximo de resposta no horário da loja. Quem pergunta preço pelo WhatsApp costuma perguntar para várias lojas ao mesmo tempo.
  • Com que material. Fotos e vídeos dos produtos, tabela de tamanhos, informações de troca e entrega prontos para enviar.
  • Como fecha. Link de pagamento, reserva com prazo para retirada ou convite com horário marcado para a loja.

Scripts para cada momento da conversa estão no guia de vendas pelo WhatsApp.

Follow-up de quem saiu sem comprar

Boa parte de quem sai da loja sem comprar não desistiu: ia pensar, queria ver com alguém, não achou o tamanho, não tinha o dinheiro naquele dia. Se o vendedor pegou o contato, existe uma segunda chance.

Quando Mensagem Objetivo
No mesmo dia “Oi, [nome], aqui é a [vendedora] da loja. Separei as fotos daquele [produto] que você viu. Qualquer dúvida, me chama.” Manter a lembrança viva
Em 2 a 3 dias “Chegou o [tamanho/cor] que você procurava. Quer que eu separe até sábado?” Resolver o motivo que impediu a compra
Em 7 dias “Vai ter [ação ou novidade] na loja esta semana. Lembrei de você por causa do [produto].” Dar um novo motivo para voltar

Duas regras: cada mensagem precisa ter um motivo concreto, e o vendedor só envia se o cliente autorizou o contato. Registre quem saiu sem comprar e o motivo, nem que seja numa planilha. Em poucas semanas, os motivos mais comuns aparecem e apontam para estoque, preço ou atendimento.

A lista de clientes

A lista de clientes é o ativo mais subestimado do varejo. Ela permite vender sem depender do fluxo da rua. Para funcionar:

  • Cadastro em toda venda: nome, WhatsApp, data da compra, o que comprou, tamanho ou preferência e autorização para receber mensagens.
  • Segmentação simples: quem comprou nos últimos 90 dias, quem não compra há mais de seis meses, quem compra em datas específicas.
  • Contato com motivo: chegada de produto ligado ao que a pessoa comprou, reposição, aniversário, evento da loja. Mensagem genérica para a lista inteira vira bloqueio.
  • Divisão por vendedor: cada vendedor cuida da própria carteira de clientes e tem meta de contatos por semana.

A coleta e o uso de dados de clientes estão sujeitos à LGPD. Peça autorização no cadastro, explique para que o contato será usado e respeite quem pedir para sair da lista.

Metas para vendedores de loja

Meta só de faturamento empurra o vendedor para disputar cliente na porta e para dar desconto. Metas que olham comportamento direcionam melhor. O princípio geral está no guia de metas de vendas; no varejo, ele vira um modelo como este.

Modelo de meta por vendedor

Exemplo para um mês, com números ilustrativos, de uma loja com meta de R$ 240 mil e quatro vendedores:

Vendedor Atendimentos previstos Conversão Peças por atendimento Preço médio por peça Ticket médio Meta de faturamento
Vendedor A 500 28% 1,8 R$ 120 R$ 216 R$ 30.240
Vendedor B 600 30% 2,0 R$ 125 R$ 250 R$ 45.000
Vendedor C 550 25% 1,6 R$ 115 R$ 184 R$ 25.300
Vendedor D 650 32% 2,1 R$ 130 R$ 273 R$ 56.784
Loja (vendedores) 2.300 R$ 157.324

A soma não fecha os R$ 240 mil, e o modelo existe para mostrar isso. Quando a meta de cima não cabe na conta de baixo, a loja tem três caminhos: aumentar o fluxo (campanhas, lista de clientes, WhatsApp), melhorar os indicadores do time (treinamento em sondagem e venda complementar) ou rever a meta. Descobrir isso no dia 1 é muito melhor do que no dia 25.

Na construção da meta de cada vendedor:

  • Atendimentos dependem da escala. Quem trabalha nos horários de maior movimento atende mais e precisa de meta maior.
  • Conversão e peças por atendimento partem do histórico de cada um, com melhora pequena e realista. Exigir de quem converte 25% que chegue a 35% no mês seguinte só desmotiva.
  • Ticket médio é o resultado de peças por atendimento vezes preço médio por peça, e não precisa ser uma meta separada.
  • Vendas pelo WhatsApp e pela lista de clientes entram na conta do vendedor que atendeu, com regra clara para não gerar disputa.

Comissão e regras trabalhistas no comércio

A meta costuma vir acompanhada de comissão, e no comércio existem regras que pesam no custo. Para vendedores contratados pela CLT, a comissão integra o salário (CLT, art. 457, § 1º) e gera reflexos em férias, 13º e FGTS, e o comissionista tem direito ao descanso semanal remunerado calculado sobre as comissões (Súmula 27 do TST). O detalhamento está no guia de comissão de vendas.

Além da lei, o comércio tem convenções coletivas negociadas pelos sindicatos de cada cidade ou região, que podem definir piso salarial, garantia mínima para comissionistas e regras próprias de jornada. Esses valores mudam de uma cidade para outra e a cada negociação anual, por isso consulte a convenção coletiva do comércio vigente na cidade da loja antes de fechar o salário fixo e a comissão.

O trabalho aos domingos e feriados no comércio também tem regras específicas, definidas pela Lei 10.101/2000 (redação dada pela Lei 11.603/2007):

  • Domingos (art. 6º): o trabalho é autorizado no comércio em geral, observada a legislação municipal, e o repouso semanal remunerado precisa coincidir com o domingo pelo menos uma vez a cada três semanas.
  • Feriados (art. 6º-A): o trabalho só é permitido se autorizado em convenção coletiva de trabalho, também observada a legislação municipal.

Antes de montar a escala e a política de comissão, confirme esses pontos com o contador ou com o sindicato.

A rotina do gerente de loja

O gerente de loja é o gestor comercial do varejo. Quando ele passa o dia no caixa, no estoque ou atendendo, a loja fica sem ninguém olhando os números e o time. Uma rotina mínima:

Quando O que fazer Duração
Abertura, todo dia Reunião em pé: resultado de ontem, meta do dia por vendedor, produto ou ação em foco 10 a 15 minutos
Durante o dia Acompanhar atendimentos, entrar em vendas difíceis, observar abordagens Contínuo
Picos de movimento Garantir que ninguém fica sem atendimento e que a fila de caixa não trava Conforme o fluxo
Fim do dia Fechar números por vendedor: atendimentos, conversão, peças, ticket 15 minutos
Semanal Revisar indicadores de cada vendedor, conferir o follow-up e os contatos da lista, ajustar a escala 1 hora
Semanal Um treinamento curto: produto novo, técnica de sondagem, venda complementar 20 a 30 minutos
Mensal Conversa individual com cada vendedor sobre os números e o que melhorar 20 minutos por vendedor

Como ler os números de cada vendedor

Comparar o faturamento dos vendedores diz pouco. Comparar os indicadores mostra onde cada um precisa de ajuda:

  • Muitos atendimentos e conversão baixa: aborda bem, mas não fecha. Treinar sondagem e fechamento.
  • Conversão alta e poucas peças por atendimento: fecha, mas não amplia a venda. Treinar venda complementar.
  • Preço médio por peça baixo: pode estar oferecendo primeiro o mais barato ou dando desconto demais.
  • Poucos contatos da lista e de follow-up: depende só do fluxo da porta e vai sofrer nos dias fracos.

O gerente que conhece esses números consegue dar um retorno específico (“sua conversão está boa, vamos trabalhar a sugestão do segundo item”) em vez de um genérico (“precisa vender mais”).

A escala acompanha o fluxo

Escala montada só pela conveniência da equipe deixa vendedor sobrando nas horas paradas e cliente sem atendimento no pico. Use o fluxo por dia da semana e por faixa de horário para posicionar mais gente nos horários de maior movimento, respeitando as regras de jornada.

Para saber se a rotina está de pé, o gerente anota durante duas semanas quanto tempo passou em cada tipo de tarefa: gestão do time e dos números, atendimento, caixa, estoque e administrativo. Quando gestão é a menor fatia, a primeira mudança costuma ser tirar do gerente uma tarefa operacional fixa e proteger a reunião de abertura e o fechamento diário por vendedor, que são os dois hábitos que mantêm o time olhando os próprios números.

Contratação e perfil do vendedor de varejo

O vendedor de varejo precisa de energia para atender muitas pessoas, capacidade de ler o cliente em poucos minutos e disciplina para fazer cadastro e follow-up. Esse último ponto costuma ser esquecido no recrutamento: muita gente atende bem, mas abandona o cliente quando ele sai da loja.

Na entrevista, peça para o candidato simular uma sondagem e uma sugestão de item complementar, e pergunte como ele mantinha contato com clientes no emprego anterior. A resposta mostra se ele trabalha a carteira ou só espera o cliente entrar.

Sinais de que o candidato vai trabalhar a carteira:

  • cita clientes pelo nome e conta como mantinha contato com eles;
  • descreve um jeito próprio de registrar clientes (caderno, planilha, sistema da loja);
  • tem um exemplo concreto de venda que veio de uma mensagem dele, não do fluxo da porta;
  • na simulação, pede o contato do cliente antes de encerrar o atendimento, sem você lembrar.

Quem só fala de “atender bem” e não tem nenhum exemplo de contato depois da venda tende a depender do movimento da loja.

Checklist de vendas no varejo

  • O fluxo da loja é contado todo dia, por contador ou por registro do time.
  • Existe um roteiro de atendimento com sondagem e venda complementar.
  • Todo cliente que compra é cadastrado, com autorização para contato.
  • Quem sai sem comprar tem contato e motivo registrados quando autoriza.
  • O WhatsApp é atendido por número da empresa, com tempo de resposta definido.
  • Cada vendedor tem meta de faturamento, conversão e peças por atendimento.
  • O gerente faz reunião de abertura e fecha os números por vendedor todos os dias.
  • A escala segue o fluxo por dia e horário.
  • Comissão e jornada foram conferidas com a convenção coletiva aplicável.

Erros mais comuns

Medir só o faturamento. Sem fluxo e conversão, a loja não sabe se o problema é falta de cliente ou falta de venda.

Deixar o WhatsApp no celular do vendedor. Quando ele sai, leva os clientes e o histórico das conversas.

Lista de clientes parada. Cadastro que ninguém usa é só formalidade no caixa.

Meta igual para todos. Vendedores com escala e histórico diferentes precisam de metas diferentes.

Gerente que vira mais um vendedor. Em dia de movimento, ajudar no atendimento é necessário. Todo dia, é sinal de que ninguém está gerindo a loja.

Perguntas frequentes

Quais indicadores acompanhar nas vendas no varejo?

Os quatro principais são fluxo (quantas pessoas entraram ou foram atendidas), taxa de conversão (vendas divididas pelo fluxo), ticket médio (faturamento dividido pelo número de vendas) e peças por atendimento (itens vendidos divididos pelo número de vendas). Juntos, eles mostram se o problema está em atrair, em atender ou em vender mais para cada cliente.

Como definir metas para vendedores de loja?

Parta da meta de faturamento da loja e quebre em atendimentos, conversão, peças por atendimento e preço médio por peça. Cada vendedor recebe uma meta de faturamento e metas de comportamento, como conversão e peças por atendimento, ajustadas pela escala e pelo histórico dele.

Vale a pena vender pelo WhatsApp tendo loja física?

Sim, desde que o canal tenha processo: tempo de resposta definido, catálogo organizado, registro do cliente e responsável pelo atendimento. O WhatsApp serve para atender quem pergunta antes de ir à loja, recuperar quem saiu sem comprar e manter contato com a base de clientes.

O que faz um bom gerente de loja no dia a dia?

Ele acompanha os números do dia e da semana por vendedor, organiza a escala conforme o fluxo, treina o time no atendimento, faz a reunião rápida de abertura e garante que o follow-up e a lista de clientes sejam trabalhados. O gerente que passa o dia no caixa ou no estoque não está gerindo vendas.

COO do Grupo VMX

Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.

Fale com um especialista

// Fale com a VMX //

Fale com um especialista da VMX

Preencha os dados e continue a conversa no WhatsApp.

Ao enviar, você concorda em ser contatado pela VMX sobre este assunto.