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Funil de vendas: o que é e como montar o seu

Por · Publicado em · 10 min de leitura

Funil de vendas é a representação das etapas pelas quais uma oportunidade passa, do primeiro contato até o fechamento, com a quantidade de oportunidades em cada etapa e o percentual que avança para a próxima. Para montar o seu, você precisa de três coisas: etapas que reflitam como o seu cliente compra, um critério objetivo para a passagem entre elas e o registro de cada oportunidade para medir as conversões. Com isso, o funil deixa de ser um desenho e vira a ferramenta que mostra onde a empresa está perdendo venda.

O funil é a forma de medir o processo comercial. Se você ainda não tem as etapas do processo definidas, comece pelo guia de processo comercial, que apresenta um modelo de sete etapas. Este artigo parte daí e mostra como transformar essas etapas num funil que mede, diagnostica e prevê.

Para que serve o funil de vendas

Um funil bem montado responde perguntas que a maioria das empresas responde no palpite:

  • Onde as vendas estão se perdendo? A etapa com a menor taxa de conversão é, quase sempre, o primeiro lugar para agir.
  • Quantas oportunidades preciso gerar para bater a meta? Com as taxas de conversão, dá para fazer a conta de trás para frente.
  • Quanto vamos vender no mês que vem? O volume em cada etapa, multiplicado pela conversão histórica, dá uma previsão.
  • Qual vendedor precisa de ajuda, e em quê? Comparando o funil de cada um, aparece se o problema é de volume ou de conversão em uma etapa específica.

Sem o funil, essas perguntas viram discussões de opinião. Com ele, viram números.

Etapas com critério de passagem

O erro mais comum na montagem do funil é definir etapas pelo que o vendedor sente, e não pelo que aconteceu. “Cliente interessado” e “negociação avançada” são impressões. O critério de passagem precisa ser um fato verificável, que qualquer pessoa do time identificaria da mesma forma.

Etapa Critério fraco Critério objetivo
Lead “Chegou um contato” Contato com nome, telefone e origem registrados
Qualificado “Parece ter perfil” Respondeu às perguntas de qualificação e atende aos critérios de dor, decisor, orçamento e prazo
Diagnóstico “Conversamos” Reunião de diagnóstico realizada, com necessidade documentada no CRM
Proposta “Mandei uma proposta” Proposta apresentada ao decisor, com data de retorno combinada
Negociação “Está quase fechando” Cliente pediu ajuste de condição ou enviou contrato para análise
Ganho “Fechou” Contrato assinado ou pagamento confirmado

Critério objetivo tem duas vantagens. A primeira é que as taxas de conversão passam a significar alguma coisa: quando todos usam o mesmo critério, dá para comparar vendedores e meses. A segunda é que o funil para de inflar. Oportunidades que “estão quase fechando” há três meses não avançam para a negociação só porque o vendedor está otimista.

Um efeito comum ao adotar critérios objetivos: o número de oportunidades em negociação cai logo nas primeiras semanas, porque muitas estavam lá por otimismo. A previsão fica menor e, ao mesmo tempo, muito mais confiável.

Quantas etapas usar

Entre cinco e sete etapas resolvem a maioria das operações. Um funil com três etapas (lead, proposta, venda) esconde onde está a perda: se só 5% dos leads viram venda, você não sabe se o problema está na qualificação, no diagnóstico ou na proposta. Um funil com doze etapas tem o problema oposto: ninguém atualiza, e as etapas intermediárias ficam vazias ou cheias de oportunidades esquecidas.

Uma regra prática: se uma etapa não muda nenhuma decisão do vendedor ou do gestor, ela pode ser fundida com a vizinha.

Como medir a conversão entre etapas

A taxa de conversão de uma etapa é o percentual das oportunidades que entraram nela e chegaram à etapa seguinte. Parece simples, mas há um detalhe que distorce muitos funis: o tempo.

Se você dividir as vendas de setembro pelas propostas de setembro, vai misturar propostas enviadas no início do mês, que tiveram tempo de fechar, com propostas enviadas no dia 29, que ainda estão em análise. O resultado subestima a conversão real.

Há duas formas de medir corretamente:

Método Como funciona Quando usar
Por período com defasagem Compara as propostas de um mês com as vendas do mês seguinte, respeitando o ciclo médio Operações com ciclo de venda estável e conhecido
Por grupo (coorte) Acompanha as oportunidades que entraram num mesmo mês até que todas tenham sido ganhas ou perdidas Quando o ciclo varia muito ou é longo

O método por grupo é o mais preciso. Você pega, por exemplo, todas as oportunidades que viraram proposta em julho e verifica, 60 ou 90 dias depois, quantas foram ganhas. Isso dá a taxa de fechamento real daquele grupo, sem a distorção do mês ainda em andamento.

Três números além da conversão

A conversão sozinha não conta a história toda. Acompanhe também:

  • Tempo em cada etapa. Uma etapa em que as oportunidades ficam paradas por muito mais tempo que as outras é um gargalo, mesmo que a conversão pareça normal.
  • Motivo de perda por etapa. Perder por preço na negociação é diferente de perder por “sem resposta” depois da proposta. Cada motivo pede uma ação diferente.
  • Conversão por origem. Leads de indicação e leads de anúncio costumam ter funis muito diferentes. Misturar tudo esconde qual origem traz clientes de verdade.

O guia de indicadores de vendas mostra como organizar esses números num painel semanal.

Modelo de funil com taxas de conversão

Um modelo para uma empresa de serviços B2B, com números ilustrativos. Use a estrutura e substitua pelos seus números:

Etapa Entraram no mês Avançaram Taxa de conversão Tempo médio na etapa
Lead 500 200 40% 2 dias
Qualificado 200 110 55% 5 dias
Diagnóstico 110 66 60% 7 dias
Proposta 66 20 30% 15 dias
Negociação 20 14 70% 6 dias
Ganho 14 2,8% do lead à venda 35 dias de ciclo total

Lendo esse funil, algumas conclusões aparecem na hora. A etapa de proposta tem a menor conversão (30%) e o maior tempo parado (15 dias): é ali que as vendas estão se perdendo. A negociação converte bem (70%), o que sugere que, quando o cliente chega a negociar, o time fecha. O problema está entre a proposta enviada e o cliente engajar na negociação: pode ser a qualidade da proposta, a falta de follow-up ou propostas enviadas para quem não decide.

Sem o funil, a conclusão mais provável seria “precisamos de mais leads”. Com ele, fica claro que melhorar a conversão da proposta de 30% para 40% traria de quatro a cinco vendas a mais por mês, sem nenhum lead adicional.

Quantas oportunidades a meta exige

Com as taxas de conversão, o funil se transforma numa calculadora de meta. O guia de processo comercial mostra a conta básica. Aqui vale olhar dois cuidados que a tornam realista.

Use o ticket médio de quem fecha, não de quem entra. Propostas grandes costumam fechar menos. Se o ticket médio das propostas é R$ 20 mil, mas o das vendas ganhas é R$ 14 mil, a conta precisa usar R$ 14 mil.

Considere o ciclo de venda. Se o ciclo é de 35 dias, as oportunidades que vão fechar em novembro precisam entrar no funil em setembro e outubro. A meta de novembro se decide antes de novembro começar.

Um exemplo de desdobramento com as taxas do modelo acima e meta de 20 vendas por mês:

Etapa Conta Necessário por mês
Vendas Meta 20
Negociações 20 ÷ 70% 29
Propostas 29 ÷ 30% 97
Diagnósticos 97 ÷ 60% 162
Qualificados 162 ÷ 55% 295
Leads 295 ÷ 40% 738

A conta mostra que, com as taxas atuais, a meta de 20 vendas exige quase 740 leads, bem mais que os 500 de hoje. Antes de aumentar a verba de marketing em quase 50%, vale testar quanto a meta muda se a conversão da proposta subir. Para cruzar esse número com a capacidade do time e distribuir entre vendedores, veja o guia de metas de vendas.

Como diagnosticar o funil: cinco padrões

Os funis se repetem em alguns padrões. Reconhecer o padrão ajuda a escolher a ação:

Padrão O que aparece nos números Provável causa Primeira ação
Topo fraco Poucos leads, conversões razoáveis Falta de geração de demanda Revisar canais e origens de leads
Qualificação frouxa Muitos qualificados, poucos diagnósticos Critério de qualificação fraco ou não seguido Reforçar as perguntas de qualificação
Diagnóstico raso Diagnósticos viram proposta, mas propostas não fecham Proposta sem dor e impacto levantados Treinar o roteiro de diagnóstico
Follow-up ausente Muitas propostas paradas, perda por “sem resposta” Falta de cadência depois da proposta Implantar cadência de follow-up
Fundo apertado Negociações longas, perdas por preço Valor pouco claro ou decisor ausente Apresentar a proposta ao decisor, rever política de desconto

O mesmo diagnóstico funciona por vendedor. Se o funil do time é saudável, mas um vendedor tem conversão de proposta muito abaixo dos outros, o problema é individual e pede acompanhamento, não mudança de processo.

Entre os cinco padrões, o de follow-up ausente costuma ser o mais comum, e também o mais barato de corrigir: uma cadência padrão depois de cada proposta, com mensagem de encerramento, já muda a conversão da etapa sem nenhum investimento em leads.

Funil em planilha ou em CRM

Dá para começar em planilha. A estrutura mínima é uma linha por oportunidade, com estas colunas:

  • Nome do cliente e origem do lead.
  • Vendedor responsável.
  • Etapa atual.
  • Data de entrada em cada etapa (uma coluna por etapa).
  • Valor estimado.
  • Próximo passo e data.
  • Status final (ganho ou perdido) e motivo de perda.

As datas por etapa são o que permite calcular conversão e tempo em cada fase. Sem elas, a planilha mostra só uma foto do momento.

A planilha começa a atrapalhar quando há mais de um vendedor editando, quando o volume passa de algumas dezenas de oportunidades por mês ou quando o gestor precisa de relatórios semanais. Nesse ponto, o CRM registra as mudanças de etapa sozinho e gera os relatórios de conversão. O guia de CRM de vendas mostra como escolher e configurar.

Checklist do funil de vendas

  • O funil tem entre cinco e sete etapas, com nomes usados pelo time.
  • Cada etapa tem um critério de passagem objetivo e escrito.
  • Toda oportunidade registra a data de entrada em cada etapa.
  • O motivo de perda é registrado com opções padronizadas.
  • A conversão é medida por grupo ou com defasagem, não pelo mês corrido.
  • Existe funil separado por origem de lead.
  • Existe funil separado por vendedor.
  • A meta do mês foi desdobrada em volume por etapa.
  • O gestor revisa o funil toda semana.

Erros mais comuns

Montar o funil a partir do CRM. As etapas que vêm de fábrica no sistema raramente refletem como o seu cliente compra. Primeiro o processo, depois a configuração.

Não registrar as perdas. Oportunidades perdidas que somem do funil levam junto a informação mais útil: por que o cliente não comprou.

Olhar só o total. A média do time esconde o vendedor com problema e a origem de lead que não converte.

Deixar oportunidades mortas abertas. Um funil cheio de oportunidades paradas há meses infla a previsão e esconde a realidade. Defina um prazo máximo em cada etapa, depois do qual a oportunidade é revisada ou encerrada.

Tratar o funil como relatório. O funil só gera resultado quando vira decisão: qual etapa atacar, que vendedor treinar, quanto investir em leads.

Se o seu funil mostrou que o problema está em várias etapas ao mesmo tempo, o caminho é revisar o processo como um todo. O guia de processo comercial ajuda a organizar essa revisão.

Perguntas frequentes

Quantas etapas um funil de vendas deve ter?

Entre cinco e sete para a maioria das empresas. Menos que isso esconde onde as vendas se perdem; mais que isso faz o time parar de atualizar. Cada etapa precisa corresponder a um passo real do cliente, com um critério objetivo para avançar.

Qual a diferença entre funil de vendas e pipeline?

Os termos são usados quase como sinônimos. Na prática, o funil costuma se referir às taxas de conversão entre etapas ao longo do tempo, e o pipeline à lista de oportunidades abertas hoje, com valor e etapa. O funil mostra como o processo se comporta; o pipeline mostra o que está em jogo agora.

Como calcular a taxa de conversão do funil?

Divida o número de oportunidades que chegaram à etapa seguinte pelo número que entrou na etapa atual, no mesmo período ou no mesmo grupo de oportunidades. Para ser justo, compare oportunidades que já tiveram tempo de avançar: uma proposta enviada ontem ainda não teve chance de fechar.

Posso montar um funil de vendas em planilha?

Pode, para começar. Uma planilha com uma linha por oportunidade, a etapa atual, a data de entrada em cada etapa e o valor já permite calcular as conversões. Com mais de um vendedor ou algumas dezenas de oportunidades por mês, o CRM passa a compensar, porque registra as mudanças de etapa automaticamente.

COO do Grupo VMX

Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.

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