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Contrato de experiência do vendedor: regras e avaliação

Por · Publicado em · 9 min de leitura

O contrato de experiência do vendedor é um contrato de trabalho por prazo determinado, previsto na CLT, que dura no máximo 90 dias e pode ser prorrogado uma única vez dentro desse limite. Ele serve para a empresa e o vendedor testarem a relação antes de o contrato passar a prazo indeterminado. Para funcionar, o período precisa de marcos de avaliação definidos antes do primeiro dia: o que o vendedor deve ter aprendido, que atividades deve fazer e que resultados começar a mostrar em 30, 60 e 90 dias. Este guia traz as regras da CLT conferidas no texto da lei, uma ficha de avaliação pronta e um roteiro para decidir efetivar ou desligar.

O artigo faz parte do guia de contratação de vendedores. Se a dúvida ainda é qual vínculo usar, comece por vendedor CLT ou PJ.

Aviso: este conteúdo é informativo e não é orientação jurídica. As regras abaixo foram conferidas no texto da CLT publicado no Planalto, mas cada caso tem detalhes (convenção coletiva, estabilidades, cláusulas do contrato). Valide modelos de contrato e desligamentos com advogado e contador.

O que a CLT diz sobre o contrato de experiência

As regras principais estão em poucos artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/1943):

Tema Regra Onde está
O que é O contrato de experiência é uma das hipóteses em que o contrato por prazo determinado é válido Art. 443, §2º, alínea c
Prazo máximo Não pode exceder 90 dias Art. 445, parágrafo único
Prorrogação Contrato por prazo determinado prorrogado mais de uma vez passa a vigorar sem prazo Art. 451
Prorrogação dentro do limite O contrato de experiência pode ser prorrogado, respeitado o limite máximo de 90 dias Súmula 188 do TST
Novo contrato logo depois Contrato que suceder, dentro de 6 meses, outro por prazo determinado é considerado por prazo indeterminado, salvo exceções previstas no artigo Art. 452
Dispensa antecipada pela empresa Sem justa causa, a empresa paga como indenização metade da remuneração a que o empregado teria direito até o termo Art. 479
Saída antecipada do empregado Sem justa causa, o empregado deve indenizar os prejuízos que causar, limitados ao que ele teria direito em condições idênticas Art. 480 e §1º
Cláusula de rescisão antecipada Se o contrato garantir às duas partes o direito de rescindir antes do termo, aplicam-se, quando usado, os princípios da rescisão do contrato por prazo indeterminado Art. 481

Como usar o prazo na prática

O prazo de até 90 dias pode ser usado de uma vez ou dividido em dois períodos. Divisões comuns são 45 mais 45 dias ou 30 mais 60 dias. A vantagem de dividir é ter um ponto formal de decisão no meio: se a primeira parte já mostrou que não vai dar certo, a empresa simplesmente não prorroga.

Três cuidados práticos:

  • A prorrogação é uma só. Uma segunda prorrogação transforma o contrato em prazo indeterminado (art. 451).
  • Controle as datas. O fim de cada período precisa estar na agenda do gestor e do RH. Se o vendedor continua trabalhando depois do fim do prazo sem nada decidido, a empresa perde o controle sobre o tipo de contrato que tem.
  • Não emende um contrato de experiência em outro. Recontratar a mesma pessoa em novo contrato por prazo determinado dentro de 6 meses, em regra, gera contrato por prazo indeterminado (art. 452).

Rescisão antes do prazo

Se a empresa decidir desligar antes do fim do período, o custo depende do contrato. Sem cláusula de rescisão antecipada, vale o art. 479: a empresa paga metade da remuneração que o vendedor receberia até o termo. Para vendedor com comissão, o parágrafo único do artigo manda calcular a parte variável conforme as regras da indenização dos contratos por prazo indeterminado. Com cláusula de rescisão antecipada recíproca, vale o art. 481, com as regras da rescisão do contrato por prazo indeterminado.

Um exemplo hipotético: contrato de 45 dias, desligamento sem justa causa no dia 25. Sem cláusula de rescisão antecipada, a indenização do art. 479 é metade da remuneração dos 20 dias que faltavam, além das verbas rescisórias normais. Peça ao contador o cálculo completo antes de comunicar a decisão.

Gestação e acidente de trabalho durante o contrato de experiência têm regras e jurisprudência próprias sobre estabilidade. Nesses casos, não decida o desligamento sem consultar o jurídico.

Marcos de avaliação para vendedor em experiência

Vendedor tem uma particularidade: em vendas de ciclo médio ou longo, 90 dias podem não ser suficientes para ver muitas vendas fechadas. Por isso, a avaliação não pode depender só de resultado. Ela combina quatro dimensões, com peso diferente em cada marco:

Contrato de experiência do vendedor: regras de prazo e marcos de avaliação de 30, 60 e 90 dias Regras da CLT: o contrato de experiência dura no máximo 90 dias, pelo art. 445, e pode ser prorrogado uma única vez dentro desse limite, por exemplo 45 mais 45 dias; uma segunda prorrogação torna o contrato por prazo indeterminado, pelo art. 451. Marcos de avaliação: aos 30 dias, peso maior em aprendizado e comportamento, se aprendeu produto e processo e segue a rotina; aos 60 dias, atividade e qualidade, se faz o volume combinado e aplica o feedback; aos 90 dias, primeiros resultados e tendência, se os números evoluem rumo à meta de rampa. Cada avaliação acontece antes do vencimento do período. // CONTRATO DE EXPERIÊNCIA // Prazo e avaliação do vendedor REGRAS DA CLT Máximo de 90 dias (art. 445) Uma prorrogação, dentro dos 90 Exemplo: 45 + 45 dias Prorrogou duas vezes? Vira prazo indeterminado (art. 451) MARCOS DE AVALIAÇÃO 30 Aprendizado e comportamento Aprendeu produto e processo? Segue a rotina? 60 Atividade e qualidade Faz o volume combinado? Aplica o feedback? 90 Primeiros resultados Os números evoluem rumo à meta de rampa? Avalie sempre antes do vencimento GRUPOVMX.COM/CONTEUDOS
Marco Peso maior em Pergunta que o gestor responde
30 dias Aprendizado e comportamento Ele aprendeu o produto e o processo? Segue a rotina?
60 dias Atividade e qualidade da execução Ele faz o volume combinado, com qualidade? Aplica o feedback?
90 dias Primeiros resultados e tendência Os números estão evoluindo na direção da meta de rampa?

Alinhe os marcos às datas do contrato. Se o contrato é de 45 mais 45 dias, a avaliação que decide a prorrogação precisa acontecer antes do dia 45, e a que decide a efetivação, alguns dias antes do dia 90. Avaliação feita depois do vencimento não serve para decidir nada.

Os marcos devem estar ligados ao plano de integração. O modelo de rampa, com o que o vendedor faz em cada semana, está em onboarding de vendedores.

Ficha de avaliação de 30, 60 e 90 dias

Use uma ficha igual para todos os vendedores em experiência. Para cada item, atribua uma nota (por exemplo, de 1 a 4) e registre uma evidência concreta. Nota sem evidência não vale.

Dimensão Indicador 30 dias 60 dias 90 dias
Aprendizado Domina o produto (prova ou simulação) ✓ ✓
Aprendizado Conhece as etapas e critérios do processo comercial ✓ ✓
Atividade Volume de contatos ou visitas versus o combinado ✓ ✓
Atividade Reuniões ou diagnósticos realizados ✓ ✓
Atividade Registros no CRM completos e em dia ✓ ✓ ✓
Qualidade Avaliação de ligações ou reuniões acompanhadas pelo gestor ✓ ✓ ✓
Qualidade Aplica o feedback recebido na interação seguinte ✓ ✓ ✓
Resultado Conversão entre etapas do funil ✓ ✓
Resultado Vendas ou propostas versus a meta de rampa ✓
Comportamento Pontualidade, cumprimento de combinados, relação com o time ✓ ✓ ✓

Ao final de cada marco, a ficha vira uma conversa de 30 a 45 minutos com o vendedor: o que está bom, o que precisa mudar e qual é o combinado até o próximo marco. O vendedor deve sair de cada conversa sabendo exatamente como está. A decisão no dia 90 não pode ser surpresa para ninguém.

Metas de atividade e de resultado no período

Defina as metas da experiência antes da contratação e apresente na entrevista. Um exemplo hipotético de rampa para um vendedor interno:

  • Mês 1: certificação no produto, simulações aprovadas, primeiros contatos acompanhados.
  • Mês 2: volume de contatos e reuniões combinado para o cargo, com qualidade avaliada pelo gestor.
  • Mês 3: uma fração da meta de vendas do cargo, crescendo nos meses seguintes.

Os números exatos dependem do seu funil. Use as taxas de conversão do time para chegar ao volume de atividade que gera a meta de rampa.

Como decidir efetivar o vendedor

A decisão fica mais simples quando se olha para três perguntas, nesta ordem:

  1. Ele faz o que precisa ser feito? Volume de atividade, registros, rotina. Se não faz depois de 60 dias de orientação, dificilmente vai passar a fazer.
  2. Ele aprende? Compare as fichas de 30 e de 60 dias. Quem aplica feedback melhora entre os marcos.
  3. Os números estão indo na direção certa? Em ciclo longo, olhe a conversão entre etapas e o funil construído, não só as vendas fechadas.
Situação no último marco Decisão sugerida
Faz a atividade, aprende e os números evoluem Efetivar
Faz a atividade e aprende, mas os números ainda estão abaixo da rampa em ciclo longo Efetivar com plano de acompanhamento e metas claras para os meses seguintes
Números bons, mas não segue o processo nem registra Conversa franca antes de decidir; resultado sem processo costuma não se sustentar
Não faz a atividade combinada, mesmo com feedback Não efetivar
Não aplica feedback entre os marcos Não efetivar

Antes de não efetivar, faça uma pergunta honesta: a empresa entregou o que prometeu? Leads, treinamento, acompanhamento do gestor, acesso às ferramentas. Se a resposta for não, o problema pode estar na integração, não no vendedor. Quando o vendedor efetivado cair de desempenho depois da experiência, o caminho de diagnóstico e plano de recuperação está em vendedor com baixo desempenho.

Como desligar com respeito

Encerrar um contrato de experiência faz parte do processo, e a forma como é feito afeta o time que fica e a reputação da empresa no mercado de candidatos:

  • Comunique pessoalmente, em conversa reservada, com o gestor direto presente.
  • Seja claro e breve sobre o motivo, com base nas avaliações registradas. Se as conversas de 30 e 60 dias foram feitas, a decisão não será surpresa.
  • Não discuta a decisão. Explique, ouça e encerre. Abrir negociação nessa hora gera falsa esperança.
  • Tenha a parte formal pronta. Documentos, cálculos e devolução de equipamentos preparados com o RH e o contador antes da conversa.
  • Cuide da carteira. Se o vendedor tinha clientes ou negociações em andamento, defina quem assume e avise os clientes.
  • Comunique o time de forma simples, sem expor o ex-colega.

Erros comuns no período de experiência do vendedor

  • Não definir metas antes de contratar. Sem critério combinado, a decisão vira impressão do gestor.
  • Avaliar só no fim. O vendedor não tem chance de corrigir, e a empresa não tem evidência.
  • Perder a data de vencimento. O contrato segue sem decisão e muda de natureza.
  • Prorrogar duas vezes para “ganhar mais tempo”. A segunda prorrogação transforma o contrato em prazo indeterminado (art. 451).
  • Cobrar meta cheia em ciclo longo. Em 90 dias, o vendedor pode estar construindo um bom funil que ainda não virou venda.
  • Usar o período como substituto de seleção. A experiência confirma uma boa contratação; ela não corrige um processo seletivo fraco. Saídas frequentes nos primeiros 90 dias pesam na rotatividade do time, e as causas estão em turnover de vendedores.

Checklist do contrato de experiência do vendedor

  • Contrato de experiência escrito, com prazo total de até 90 dias.
  • Decisão sobre dividir o prazo (por exemplo, 45 mais 45) e sobre cláusula de rescisão antecipada, validada com o jurídico.
  • Datas de fim de cada período na agenda do gestor e do RH.
  • Metas de aprendizado, atividade e resultado definidas e apresentadas ao vendedor.
  • Ficha de avaliação única para todos, com evidências.
  • Conversas de avaliação em cada marco, antes de cada vencimento.
  • Plano de integração com o que a empresa entrega (leads, treinamento, acompanhamento).
  • Roteiro de desligamento e cálculos preparados com RH e contador, se a decisão for não efetivar.

Perguntas frequentes

Qual o prazo máximo do contrato de experiência?

Pelo parágrafo único do art. 445 da CLT, o contrato de experiência não pode passar de 90 dias. O prazo pode ser menor, e o contrato pode ser prorrogado uma vez, desde que a soma dos dois períodos respeite os 90 dias (Súmula 188 do TST).

Quantas vezes posso prorrogar o contrato de experiência do vendedor?

Uma vez. O art. 451 da CLT diz que o contrato por prazo determinado prorrogado mais de uma vez, de forma tácita ou expressa, passa a vigorar sem determinação de prazo. Na prática, a empresa pode dividir o período em duas partes, como 45 mais 45 dias, sem passar do total de 90.

O que a empresa paga se dispensar o vendedor antes do fim da experiência?

Pelo art. 479 da CLT, o empregador que dispensa sem justa causa antes do termo paga, a título de indenização, metade da remuneração a que o empregado teria direito até o fim do contrato. Se o contrato tiver cláusula que garante às duas partes o direito de rescindir antes do prazo, o art. 481 manda aplicar as regras da rescisão do contrato por prazo indeterminado. Confirme os cálculos com o contador.

Como avaliar o vendedor no período de experiência?

Use uma ficha com marcos definidos antes da contratação: aprendizado de produto e processo, indicadores de atividade (contatos, reuniões, registros no CRM), qualidade da execução e, mais perto do fim, primeiros resultados. Registre cada avaliação e dê retorno ao vendedor em todos os marcos, não só no último.

Vendedor PJ tem contrato de experiência?

Não. O contrato de experiência é uma modalidade de contrato de trabalho por prazo determinado prevista na CLT (art. 443, §2º, alínea c). Prestação de serviço por pessoa jurídica segue outro tipo de contrato, e usar 'período de teste' como PJ para quem trabalha como empregado é risco trabalhista.

CEO do Grupo VMX

Geovane Martins é CEO do Grupo VMX, empresa de Belo Horizonte que ajuda empresas a venderem mais com consultoria comercial, marketing e recrutamento de vendedores. Escreve sobre gestão comercial, contratação de equipes de vendas e crescimento.

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