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Como contratar vendedor externo: perfil, salário e rotina

Por · Publicado em · 12 min de leitura

Para contratar um vendedor externo, confirme primeiro que a venda exige presença física (o cliente compra melhor com visita, há carteira para atender ou território para abrir), defina o perfil pela autonomia, pela organização de rota e pela capacidade de relacionamento, coloque na conta os custos além do salário (veículo, combustível, ajuda de custo, equipamentos), desenhe uma remuneração com fixo e comissão que siga as regras da CLT e da Lei 3.207/1957, e prepare a gestão de rota e o registro de visitas antes do primeiro dia. Este guia percorre cada um desses pontos, com as regras trabalhistas conferidas na lei, perguntas de entrevista específicas e um plano para os primeiros 90 dias.

O artigo faz parte do guia de contratação de vendedores. Se a dúvida ainda é qual vínculo usar, comece por vendedor CLT ou PJ.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de advogado e contador. Revise a política de remuneração, de veículo e de despesas com um jurídico antes de contratar.

Vendedor externo, interno ou representante: qual contratar

Vendedor externo (também chamado de vendedor de campo ou vendedor de rua) é o empregado que vende fora da empresa: visita clientes, faz prospecção presencial e atende uma carteira numa região. A escolha entre ele, o vendedor interno e o representante comercial muda o custo, o controle e o tipo de cliente que a empresa consegue atender.

Vendedor externo, vendedor interno ou representante comercial: vínculo, onde vende e quando escolher Comparação de três modelos. Vendedor externo: empregado pela CLT, vende no cliente, em rota pela região, só as linhas da empresa, com rota, metas e relatórios definidos pela empresa; escolha quando há carteira para visitar ou a venda exige presença. Vendedor interno: empregado pela CLT, vende da empresa ou remoto, por telefone, vídeo e WhatsApp; escolha para ticket menor, ciclo curto e clientes espalhados. Representante comercial: autônomo pela Lei 4.886/1965, tem estrutura própria e costuma representar várias empresas, com gestão por resultado; escolha para território grande sem custo fixo. // VENDEDOR EXTERNO // Externo, interno ou representante? VENDEDOR EXTERNO CLT Vende no cliente, em rota pela região Só as linhas da empresa Empresa define rota, metas e relatórios ESCOLHA QUANDO Há carteira para visitar ou a venda exige presença VENDEDOR INTERNO CLT Vende da empresa ou remoto Telefone, vídeo e WhatsApp ESCOLHA QUANDO Ticket menor, ciclo curto, clientes espalhados REPRESENTANTE AUTÔNOMO Estrutura própria, várias empresas Gestão por resultado (Lei 4.886/1965) ESCOLHA QUANDO Território grande, sem custo fixo GRUPOVMX.COM/CONTEUDOS
Vendedor externo Vendedor interno Representante comercial
Vínculo Empregado (CLT) Empregado (CLT) Autônomo, pela Lei 4.886/1965
Onde vende No cliente, em rota pela região Da empresa ou remoto: telefone, vídeo, WhatsApp No cliente, com estrutura própria
Linhas que vende Só as da empresa Só as da empresa Costuma representar várias empresas
Controle da rotina A empresa define metas, rota, relatórios A empresa define metas, cadência, roteiros Gestão por resultado, sem controle de rotina
Custo Fixo, comissão, encargos e custos de campo Fixo, comissão e encargos Comissão, sem custo fixo de folha
Clientes que atende melhor Carteira que compra com recorrência; venda que exige demonstração ou relacionamento presencial Ticket menor, ciclo curto, cliente espalhado pelo país Território grande, cliente que recebe vários fornecedores

O representante é a saída para entrar numa região sem custo fixo, e tem regras e cuidados próprios, descritos em como contratar representante comercial. Quando a empresa precisa decidir a rota, cobrar relatório diário, exigir dedicação exclusiva e treinar a fundo no produto, o modelo adequado é o vendedor externo contratado.

Quando o vendedor externo vale a pena

O vendedor de campo é mais caro por cliente atendido do que o vendedor interno. Ele se paga quando a visita muda o resultado:

  • O cliente compra melhor com presença. Lojistas, revendas, indústrias e obras que avaliam o produto, conferem estoque ou negociam no balcão.
  • Existe uma carteira para visitar com frequência. Clientes que recompram todo mês e esfriam quando ninguém aparece. Nesse caso, o externo faz o papel de farmer, explicado em hunter e farmer.
  • A venda exige demonstração ou levantamento técnico. Medir, testar, mostrar o produto funcionando.
  • A concorrência está no cliente toda semana. Se o outro fornecedor visita e você só liga, a disputa já começa perdida.
  • A região é densa o suficiente para uma rota. Clientes próximos o bastante para várias visitas por dia.

E quando não vale: venda de ticket baixo e decisão rápida, clientes muito espalhados, compra que o cliente já faz sozinho por pedido online ou telefone. Nesses casos, um vendedor interno com visitas pontuais, ou um representante, costuma dar mais resultado pelo mesmo custo.

O perfil do vendedor externo

Três competências pesam mais na vaga de campo do que nas outras:

1. Autonomia. O gestor não está ao lado. O vendedor decide sozinho, várias vezes por dia, se insiste no cliente, se muda a rota, se aceita uma condição. Na entrevista, procure exemplos de decisões tomadas sem consultar ninguém e do que aconteceu depois.

2. Organização de rota. Bom vendedor externo planeja a semana antes de sair: quem visitar, em que ordem, com que objetivo em cada visita. Quem decide a rota dentro do carro gasta o dia no trânsito. Peça para o candidato contar como montava a rota no emprego anterior e com que frequência visitava cada cliente.

3. Relacionamento com disciplina. O externo vive de relacionamento, mas relacionamento sem registro vira carteira pessoal. Procure quem cultiva o cliente e registra tudo no sistema: visita, pedido, objeção, próximo passo.

Requisitos práticos que costumam ser obrigatórios: CNH compatível com o veículo, disponibilidade para viajar pela região e, se a política da empresa prevê carro próprio, ter o veículo. Coloque-os no anúncio, para que o candidato que não os tem nem chegue à triagem. O método completo para montar o perfil está em perfil de vendedor.

Custos além do salário

O salário e a comissão são só parte do custo do vendedor de campo. Antes de abrir a vaga, coloque na conta:

Item Opções comuns O que definir por escrito
Veículo Carro da empresa, carro próprio com reembolso, locação Quem paga manutenção, seguro e multas; regras de uso particular
Combustível Cartão combustível, reembolso por quilômetro, valor por rota Como o deslocamento é comprovado e conferido
Alimentação e hospedagem em viagem Diárias, reembolso com nota, cartão corporativo Limites por tipo de despesa e prazo de prestação de contas
Equipamentos Celular, tablet ou notebook, plano de dados, aplicativo de vendas O que é devolvido no desligamento
Material de venda Amostras, catálogos, mostruário Controle de estoque das amostras
Pedágio e estacionamento Reembolso ou cartão Comprovação

Os valores variam conforme a região, o tamanho da rota e o tipo de veículo, então não há um número de referência único. O caminho é estimar a rota real: quantos quilômetros por semana, quantos dias de viagem por mês, e multiplicar pelos custos da sua região. Os encargos sobre salário e comissão entram à parte, com o cálculo descrito em quanto custa contratar vendedor.

O que diz a legislação sobre esses custos

Quatro regras ajudam a desenhar a política:

  • Ajuda de custo e diárias não integram a remuneração. O art. 457, §2º, da CLT, com a redação da Lei 13.467/2017, diz que as importâncias pagas a título de ajuda de custo e diárias para viagem, ainda que habituais, não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não são base de encargo trabalhista e previdenciário. O valor precisa corresponder a despesas do trabalho; um “auxílio” fixo sem relação com gasto nenhum pode ser tratado como salário.
  • Equipamentos de trabalho não são salário. O art. 458, §2º, inciso I, da CLT exclui do salário os vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço. Para celular, tablet e notebook entregues ao vendedor, tenha um termo de entrega e devolução.
  • Veículo indispensável ao trabalho não é salário. A Súmula 367, item I, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) diz que o veículo fornecido pelo empregador, quando indispensável para a realização do trabalho, não tem natureza salarial, ainda que o empregado também o use em atividades particulares.
  • Comissão integra o salário. Pelo art. 457, §1º, da CLT, integram o salário a importância fixa, as gratificações legais e as comissões. Por isso, a comissão entra no cálculo de férias, 13º e encargos.

Se o vendedor usa carro próprio, defina por escrito como é feito o reembolso e como o deslocamento é comprovado, e valide a regra com o contador. Reembolso que não guarda relação com o gasto real é a origem mais comum de discussão sobre o que é salário.

Jornada: o que a CLT diz sobre o trabalho externo

O art. 62, inciso I, da CLT, com a redação da Lei 8.966/1994, exclui do regime de jornada os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho, e exige que essa condição seja anotada na carteira de trabalho e no registro de empregados.

Dois cuidados práticos:

  • A exceção depende da realidade, não do nome do cargo. O texto fala em atividade incompatível com a fixação de horário. Se a empresa define horário de início e fim, exige presença em horários fixos ou acompanha a jornada em tempo real, o enquadramento pode ser questionado. Converse com o jurídico sobre como a sua rotina será desenhada.
  • Registro de visitas não é a mesma coisa que controle de jornada, mas pode virar. Aplicativos de rota e check-in são úteis para gestão comercial. Antes de implantar, alinhe com o jurídico qual informação é coletada e para quê.

Remuneração do vendedor externo

A estrutura mais comum é fixo mais comissão, com regras que precisam respeitar a Lei 3.207/1957, que regula as atividades dos empregados vendedores, viajantes ou pracistas, sem prejuízo da CLT. Os pontos da lei que mais afetam o desenho:

  • Comissão sobre as vendas que realizar (art. 2º). Se a empresa reservar ao vendedor, expressamente e com exclusividade, uma zona de trabalho, ele tem direito à comissão também sobre as vendas feitas ali diretamente pela empresa ou por um preposto dela.
  • Zona pode mudar, a remuneração não pode cair (art. 2º, §1º). A zona pode ser ampliada ou restringida conforme a necessidade da empresa, respeitada a irredutibilidade da remuneração. Se o viajante for transferido de zona com redução de vantagens, a lei assegura como mínimo um salário igual à média dos 12 meses anteriores (art. 2º, §2º).
  • Comissão paga mensalmente (art. 4º), com a empresa enviando no fim de cada mês a conta com as cópias das faturas dos negócios concluídos. As partes podem combinar outra época, que não pode passar de um trimestre contado da aceitação do negócio.

Na prática, três decisões definem a política:

  1. Base da comissão: venda faturada, venda recebida ou margem. Para distribuição com prazo de pagamento longo, comissão sobre o recebido reduz o risco de pagar por venda que não entrou.
  2. Exclusividade de zona: se a empresa vai vender direto na região do vendedor (por e-commerce, por exemplo), defina isso no contrato, porque muda o direito à comissão.
  3. Componentes de carteira: além de volume, metas de positivação (clientes que compraram no mês) e mix fazem o externo cuidar da carteira toda, não só dos maiores clientes.

As regras de cálculo, com exemplos, estão no guia de comissão de vendas.

Gestão de rota e registro de visitas

O vendedor externo bem gerido tem uma semana previsível. Um modelo de rotina:

Momento O que acontece
Sexta à tarde ou segunda cedo Vendedor monta a rota da semana; gestor valida prioridades
Cada visita Objetivo definido antes (pedido, apresentação de linha nova, cobrança, prospecção)
Depois de cada visita Registro no CRM ou aplicativo: resultado, pedido, objeção, próximo passo
Fim do dia Pedidos enviados e follow-ups agendados
Reunião semanal Revisão de carteira: quem não compra há mais tempo, quem caiu de volume, quem é oportunidade

Para a carteira, use uma classificação simples por potencial e frequência de visita. Clientes de maior potencial recebem visita mais frequente; os de menor potencial podem alternar visita e contato remoto. A regra precisa estar escrita, para que a rota não seja montada pela simpatia do vendedor com cada cliente.

Indicadores para acompanhar por vendedor: visitas realizadas x planejadas, positivação, volume e mix, clientes sem compra há mais tempo que o ciclo normal e novos clientes abertos no mês.

Um sinal de alerta comum na gestão de campo: rotas que se repetem sempre nos mesmos clientes. Quando o vendedor visita só quem o recebe bem, a carteira encolhe sem ninguém perceber. Compare, todo mês, a lista de clientes visitados com a lista completa da carteira.

Perguntas de entrevista específicas para vendedor externo

Além das perguntas por competência do guia de perguntas para entrevista de vendedor, estas avaliam o que é próprio do trabalho de campo:

Pergunta O que uma boa resposta mostra
“Como você montava a sua rota semanal no último emprego? Quantos clientes, com que frequência?” Método, números concretos, critério de prioridade
“Conte de um cliente que parou de comprar. Como você percebeu e o que fez?” Acompanhamento da carteira, reação rápida
“O que você fazia num dia em que três visitas eram canceladas?” Plano B, prospecção no tempo livre
“Como você registrava as visitas? O que anotava?” Disciplina de registro, uso de sistema
“Qual foi a maior região que você atendeu? Como dividia o tempo entre cidades?” Planejamento de viagem e de custo
“Que parte da sua carteira você abriu e que parte herdou?” Se é hunter, farmer ou os dois
“Como funcionava o reembolso de despesas na sua última empresa?” Familiaridade com prestação de contas

No teste prático, simule uma visita: o avaliador faz o papel de um cliente que esfriou, e o candidato precisa descobrir por quê e combinar o próximo passo. A simulação em pé, como no balcão, com uma interrupção no meio, mostra mais do que uma conversa sentada.

Os primeiros 90 dias do vendedor externo

Fase Foco Entregas esperadas
Dias 1 a 30 Produto, política comercial e carteira Visitas acompanhadas pelo gestor ou por um vendedor experiente; carteira classificada; primeira rota própria validada
Dias 31 a 60 Rota própria com acompanhamento Rotina semanal completa; registros de visita em dia; primeiros pedidos e reativações
Dias 61 a 90 Meta crescente Meta de positivação e volume em rampa; primeiros clientes novos abertos

Duas recomendações para essa fase:

  • Apresente o vendedor aos clientes principais pessoalmente. Quem herda carteira precisa de uma passagem feita pelo gestor ou pelo vendedor anterior, não só uma lista de contatos.
  • Acompanhe algumas visitas por mês, mesmo depois da rampa. É o único jeito de ver como o vendedor conduz a venda no cliente, porque o relatório mostra o resultado, não a conversa.

O plano completo de integração, com checkpoints do gestor, está em onboarding de vendedores.

Checklist para contratar vendedor externo

  • A venda exige presença: carteira para visitar, demonstração ou concorrência no cliente.
  • A região tem densidade para uma rota.
  • Vínculo definido (CLT) e diferença em relação ao representante entendida.
  • Perfil com autonomia, organização de rota e disciplina de registro.
  • Política de veículo, combustível, despesas e equipamentos por escrito.
  • Enquadramento de jornada (art. 62, I, da CLT) validado com o jurídico e anotado na carteira, se aplicável.
  • Regra de comissão com base de cálculo, zona e prazo de pagamento conforme a Lei 3.207/1957.
  • Rotina semanal, registro de visitas e indicadores definidos.
  • Plano de 90 dias com visitas acompanhadas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre vendedor externo e representante comercial?

O vendedor externo é empregado da empresa, normalmente pela CLT: recebe salário e comissão, segue a rotina e as metas definidas pelo gestor e vende só a sua linha. O representante comercial é autônomo, regido pela Lei 4.886/1965, tem estrutura própria, costuma representar várias empresas e recebe comissão sem relação de emprego.

Vendedor externo tem controle de jornada?

O art. 62, inciso I, da CLT exclui do capítulo da jornada os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário, e exige que essa condição seja anotada na carteira de trabalho e no registro de empregados. Se a empresa consegue controlar o horário na prática, a exceção pode não se aplicar. Confirme o enquadramento com o jurídico antes de contratar.

Ajuda de custo do vendedor externo entra no salário?

Pelo art. 457, §2º, da CLT, com a redação da Lei 13.467/2017, as importâncias pagas a título de ajuda de custo e diárias para viagem, ainda que habituais, não integram a remuneração e não são base de encargos trabalhistas e previdenciários. Para isso, o valor precisa corresponder de fato a despesas do trabalho, não ser salário com outro nome.

O carro da empresa usado pelo vendedor conta como salário?

Segundo a Súmula 367 do TST, o veículo fornecido pelo empregador, quando indispensável para a realização do trabalho, não tem natureza salarial, mesmo que o empregado também o use em atividades particulares. Ainda assim, vale ter uma política escrita de uso, manutenção e responsabilidade pelo veículo.

Quanto tempo leva para um vendedor externo dar resultado?

Depende do ciclo de venda e de a carteira já existir. Quem assume uma carteira ativa costuma mostrar evolução nas primeiras semanas de visita; quem abre território do zero leva mais tempo, porque precisa conquistar clientes antes de vender. Defina metas de atividade (visitas, cadastros, positivação) para os primeiros meses e metas de receita progressivas.

CEO do Grupo VMX

Geovane Martins é CEO do Grupo VMX, empresa de Belo Horizonte que ajuda empresas a venderem mais com consultoria comercial, marketing e recrutamento de vendedores. Escreve sobre gestão comercial, contratação de equipes de vendas e crescimento.

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