Para criar uma landing page que gera leads, monte uma página com uma única ação e seis blocos em ordem: a promessa (igual à do anúncio que trouxe o visitante), a prova de que você entrega, a oferta com o que acontece depois do contato, o formulário curto com perguntas que separam quem tem perfil, o botão de ação e um FAQ que responde às objeções. A página precisa carregar rápido no celular e cada lead precisa chegar ao CRM com a origem registrada.
A landing page é a peça que liga o anúncio à conversa comercial. Uma campanha bem configurada perde resultado quando o clique cai numa página genérica. Este artigo mostra como montar a página, bloco por bloco, e como medir se ela funciona. O lugar dela no conjunto dos canais está no guia de marketing, e as ofertas por estágio de interesse estão no guia de geração de leads.
O que é landing page (e por que não é a página inicial)
Landing page, ou página de destino, é uma página feita para uma ação. A página inicial de um site atende muita gente ao mesmo tempo: cliente, candidato, fornecedor, imprensa. Por isso ela tem menu, vários serviços e muitos links. Quem clicou num anúncio sobre um problema específico precisa cair numa página sobre aquele problema, sem distrações.
| Página inicial | Landing page | |
|---|---|---|
| Público | Todos os visitantes | Quem chegou por uma campanha ou oferta |
| Objetivo | Apresentar a empresa | Uma ação: formulário, agendamento ou WhatsApp |
| Navegação | Menu completo | Sem menu, ou mínimo |
| Mensagem | Geral | A mesma do anúncio |
| Como medir | Visitas, tempo na página | Taxa de conversão e leads qualificados |
Página de captura é um tipo de landing page em que o visitante deixa o contato em troca de um material, como planilha, guia ou diagnóstico. A página de um serviço com pedido de orçamento também é landing page, só que com intenção de compra mais alta.
A estrutura em seis blocos
A ordem abaixo funciona para a maioria dos serviços. A lógica é responder, na sequência, às perguntas que o visitante faz na cabeça.
| Bloco | Pergunta do visitante | O que colocar |
|---|---|---|
| 1. Promessa | “Estou no lugar certo?” | Título que repete o anúncio, subtítulo com para quem é e o resultado |
| 2. Prova | “Eles sabem fazer isso?” | Clientes atendidos, casos com números, depoimentos reais, tempo de mercado |
| 3. Oferta | “O que eu ganho e o que acontece depois?” | O que está sendo oferecido, como funciona, prazo de retorno |
| 4. Formulário | “Quanto trabalho dá?” | Campos mínimos, com perguntas de qualificação |
| 5. CTA | “O que eu faço agora?” | Botão com verbo e resultado: “Quero meu diagnóstico” |
| 6. FAQ de objeções | “E se…?” | Preço, prazo, contrato, para quem não serve |
1. Promessa
O título é o bloco mais importante. Ele precisa confirmar em poucos segundos que a pessoa chegou onde o anúncio prometeu. Uma estrutura que funciona:
- Título: o resultado ou o problema, com as palavras da busca ou do anúncio. “Consultoria comercial para empresas com equipe de vendas”.
- Subtítulo: como e para quem. “Diagnóstico do processo, metas e rotina do time em 90 dias, para empresas de 5 a 50 vendedores.”
- Botão visível sem rolar a página, no celular.
2. Prova
Prova é o que torna a promessa crível. Prefira prova específica a elogio genérico: um resultado medido de um cliente real, com antes e depois, vale mais que “excelente atendimento”. Use só casos e depoimentos reais, com autorização do cliente.
Ordem prática para escolher a prova: primeiro, resultados medidos de clientes do mesmo segmento do visitante; depois, logotipos ou nomes de clientes, com autorização; por último, depoimentos curtos com nome, cargo e empresa. Um depoimento sem nome ou com foto de banco de imagens pesa contra, porque parece inventado.
3. Oferta
Muitas páginas pulam este bloco e pedem o contato sem dizer o que acontece depois. Descreva o próximo passo em três linhas: “Você preenche o formulário. Um especialista liga em até um dia útil. Em 30 minutos, mostramos onde o seu processo está perdendo venda.” Só prometa o prazo que o time cumpre.
4 e 5. Formulário e CTA
O formulário merece uma seção própria, logo abaixo. O botão deve dizer o que a pessoa recebe, e não “Enviar”. Repita o botão depois de cada bloco longo, para quem decide no meio da página.
6. FAQ de objeções
Liste as perguntas que o time comercial mais ouve antes de fechar e responda na página. Isso filtra quem não tem perfil e adianta a conversa de quem tem. Inclua uma resposta honesta sobre para quem o serviço não serve.
Campos do formulário x qualidade do lead
Cada campo a mais reduz o número de leads e, se for bem escolhido, aumenta a proporção de leads com perfil. A escolha depende de quantos leads o time consegue atender e de quanto custa atender um lead sem perfil.
| Formulário | Campos | Efeito esperado | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Curto | Nome e telefone | Mais volume, menos filtro | Time com capacidade de ligar para todos rapidamente |
| Médio | Nome, telefone, empresa, porte | Equilíbrio | A maioria dos serviços B2B |
| Qualificador | Médio + desafio principal + prazo | Menos volume, mais perfil | Ticket alto, time pequeno, muita procura sem perfil |
Boas práticas:
- Use campos de múltipla escolha para porte e prazo. São mais rápidos de preencher e mais fáceis de usar no CRM.
- Peça o telefone com indicação de que o contato pode ser por WhatsApp, se for o caso.
- Inclua link para a política de privacidade e explique o uso dos dados, em linha com a LGPD.
- Não peça dado que ninguém vai usar. Se o campo “cargo” não muda o atendimento, tire.
Velocidade no celular
Anúncios de Instagram e Facebook são vistos principalmente nos aplicativos, e boa parte das buscas no Google também acontece no celular. Antes de desenhar a página, confira de onde vem o seu tráfego. O relatório de dispositivos do Google Ads e a divisão por plataforma no Gerenciador de Anúncios da Meta mostram quanto dos seus cliques vem do celular. Desenhe e teste a página primeiro nessa tela.
O Google usa as Core Web Vitals para medir a experiência de carregamento. Segundo o web.dev, do Google, uma página tem boa experiência quando, no 75º percentil dos acessos:
| Métrica | O que mede | Bom |
|---|---|---|
| LCP (maior exibição de conteúdo) | Tempo até o maior elemento aparecer | Até 2,5 segundos |
| INP (interação até a próxima exibição) | Tempo de resposta a cliques e toques | Até 200 milissegundos |
| CLS (mudança de layout cumulativa) | Quanto a página “pula” enquanto carrega | Até 0,1 |
Como chegar lá sem equipe técnica grande:
- Imagens comprimidas e no tamanho em que aparecem, com largura e altura definidas.
- Nada de vídeo de fundo carregando automaticamente no topo.
- Poucos scripts de terceiros: só os de medição que alguém usa.
- Fontes em pouca quantidade de pesos.
- Teste no PageSpeed Insights, na versão para celular, antes de ligar a campanha.
No Google Ads, a experiência na página de destino é um dos três componentes do Índice de qualidade, junto com a taxa de cliques esperada e a relevância do anúncio, segundo a central de ajuda da plataforma.
Mensagem igual à do anúncio
O visitante clicou por causa de uma frase. Se a página fala de outra coisa, ele volta. A regra é simples: o título da página repete a promessa do anúncio, e a oferta da página é a mesma do anúncio.
| Anúncio | Página errada | Página certa |
|---|---|---|
| “Diagnóstico comercial gratuito para indústrias” | Página institucional sobre a empresa | Título “Diagnóstico comercial para indústrias”, formulário de agendamento |
| “Planilha de metas de vendas” | Página do serviço de consultoria | Página de captura da planilha |
| “Consultoria comercial em Belo Horizonte” | Página genérica sem menção à cidade | Página do serviço com atendimento em BH |
Na prática, isso significa uma página (ou uma variação de título) por grupo de anúncios ou por oferta. O passo a passo da estrutura de campanha por intenção está em Google Ads para empresas. No Instagram e no Facebook, a escolha entre página, formulário nativo e WhatsApp está em Meta Ads para empresas.
Teste A/B: só com volume mínimo
Teste A/B compara duas versões da página com o tráfego dividido entre elas. Ele só dá resposta confiável quando há conversões suficientes para que a diferença não seja acaso. Com poucas conversões por mês, o teste leva meses e o resultado engana.
Como decidir:
- Calcule, numa calculadora de tamanho de amostra para teste A/B, quantos visitantes cada versão precisa a partir da taxa de conversão atual e da melhoria que você quer detectar.
- Compare com o tráfego mensal da página. Se o teste levaria mais de quatro a seis semanas, ele provavelmente não vale a pena agora.
- Teste uma coisa por vez e de impacto alto: título, oferta, número de campos. Cor de botão raramente muda o resultado de forma que um teste pequeno consiga medir.
- Defina antes a métrica de vitória. De preferência, lead qualificado, e não só formulário enviado.
Sem volume para testar, melhore com base em evidência qualitativa: gravações de sessão e mapas de calor, perguntas do time comercial e leitura dos campos que mais geram abandono.
Ao mexer na página sem teste A/B, registre a data da mudança e compare períodos iguais, de preferência com a mesma verba e as mesmas campanhas no ar. Olhe volume e qualidade juntos: tirar um campo pode aumentar os leads e piorar a proporção de qualificados. O erro comum é mudar título, oferta e formulário de uma vez e não saber qual mudança causou o resultado.
Rastreio até o CRM
A página só é avaliada direito quando cada lead chega ao CRM com a origem. Sem isso, você sabe quantos formulários foram enviados, mas não quantos viraram cliente.
O que a página precisa capturar e enviar junto com o lead:
| Dado | Para que serve |
|---|---|
| Parâmetros UTM (origem, mídia, campanha, conteúdo) | Saber de qual campanha e anúncio veio o lead |
| Identificador de clique do Google (GCLID) | Importar as conversões do CRM para o Google Ads |
| Página de entrada | Comparar versões e ofertas |
| Data e hora | Medir o tempo até o primeiro contato |
Com esses dados, o relatório da página deixa de ser “taxa de conversão” e passa a ser “custo por lead qualificado” e “custo por cliente” por página e por oferta. Esse é o número que decide se a página fica, muda ou sai.
Erros mais comuns
Mandar o anúncio para a página inicial. O visitante não encontra o que o anúncio prometeu.
Título criativo e vago. “Transforme seu negócio” não diz o que é nem para quem.
Formulário longo sem motivo. Campos que ninguém usa só reduzem o volume.
Botão “Enviar”. Não diz o que a pessoa recebe.
Página pesada no celular. Vídeo de fundo e imagens enormes fazem o visitante desistir antes de ler.
Teste A/B com pouco tráfego. O vencedor é decidido pelo acaso.
Lead sem origem no CRM. Ninguém sabe se a página traz cliente.
Checklist da landing page
- Uma única ação principal.
- Título igual ou muito próximo à promessa do anúncio.
- Subtítulo com para quem é e o resultado.
- Botão visível sem rolar, no celular.
- Prova específica e real, com autorização.
- Oferta com o próximo passo e o prazo de retorno.
- Formulário com os campos mínimos e uma ou duas perguntas de qualificação.
- Botão com verbo e resultado.
- FAQ com as objeções que o time comercial ouve.
- Sem menu e sem links que tirem o visitante da página.
- Política de privacidade e uso dos dados informados.
- LCP até 2,5 s, INP até 200 ms e CLS até 0,1 no celular.
- UTM, GCLID e página de entrada gravados no CRM.
- Alerta para o responsável pelo primeiro contato.
- Teste A/B só com volume calculado.
Perguntas frequentes
O que é uma landing page?
É uma página criada para uma única ação, como pedir um orçamento, agendar uma conversa ou baixar um material. Diferente da página inicial do site, ela não tem vários caminhos: tudo nela leva o visitante a preencher o formulário ou clicar no botão principal.
Qual a diferença entre landing page e página de captura?
Página de captura é um tipo de landing page focado em coletar o contato em troca de algo, geralmente um material gratuito. Toda página de captura é uma landing page, mas nem toda landing page é de captura: a página de um serviço com pedido de orçamento também é uma landing page.
Quantos campos o formulário de uma landing page deve ter?
O mínimo para fazer o primeiro contato e separar quem tem perfil. Para serviços B2B, nome, telefone, empresa e uma ou duas perguntas de qualificação costumam bastar. Cada campo a mais reduz o número de leads, então só inclua o que o time comercial realmente usa.
Landing page precisa ter menu?
Em geral, não. Menu e links para outras páginas dão saídas ao visitante antes da ação principal. Mantenha só o logotipo, sem link ou com link discreto, e links obrigatórios no rodapé, como política de privacidade.
Quando fazer teste A/B na landing page?
Quando a página recebe conversões suficientes para que a diferença entre as versões não seja acaso. Com poucas conversões por mês, o teste leva tempo demais e engana. Nesse caso, faça melhorias baseadas em boas práticas e em gravações de sessão, e compare períodos com cuidado.
COO do Grupo VMX
Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.