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Script de vendas: modelo e como criar o seu

Por · Publicado em · 12 min de leitura

Script de vendas é o roteiro que define o que o vendedor faz e pergunta em cada etapa da conversa com o cliente: como abrir, o que perguntar para qualificar, como apresentar a solução e como pedir o fechamento. Para criar o seu, separe a venda em etapas, escreva o objetivo de cada uma, liste as perguntas que não podem faltar e só então escreva as falas de exemplo. Abaixo estão modelos completos para quatro etapas (abordagem, qualificação, apresentação e fechamento), com versões para telefone e WhatsApp.

O script é uma ferramenta de uma parte do processo comercial, não o processo inteiro. Se as etapas da sua venda ainda não estão definidas, comece pelo guia de processo comercial. Com as etapas no lugar, o script é o que garante que todo vendedor conduza cada uma delas do mesmo jeito.

Para que serve um script de vendas

Um script bem feito resolve quatro problemas que aparecem em quase todo time comercial:

  • Cada vendedor vende de um jeito. Sem padrão, a empresa não sabe se o resultado ruim é da pessoa, do discurso ou do mercado.
  • Perguntas importantes ficam de fora. O vendedor sai da reunião sem saber quem decide, qual o prazo ou quanto o problema custa.
  • Vendedor novo demora para render. Sem roteiro, ele aprende acompanhando os colegas, e herda os vícios junto com as boas práticas.
  • Não dá para melhorar o que não está escrito. Com o script documentado, dá para testar uma fala nova, medir e trocar a antiga.

O que o script não faz: não transforma vendedor ruim em bom, não substitui conhecimento do produto e não funciona se for lido em voz alta. Ele é a estrutura; a conversa continua sendo do vendedor.

Roteiro, não texto decorado

O erro mais comum na criação de um script de vendas é escrever um texto corrido, de uma página, para o vendedor recitar. O cliente percebe nos primeiros segundos, e a conversa vira monólogo.

Um script que funciona tem, para cada etapa, quatro elementos:

Elemento O que é Exemplo
Objetivo O que precisa estar resolvido para a etapa terminar “Saber se o cliente tem a dor, quem decide e qual o prazo”
Perguntas obrigatórias O que o vendedor não pode deixar de perguntar “Quem mais participa dessa decisão?”
Falas de transição Frases curtas para abrir e fechar a etapa “Antes de te mostrar qualquer coisa, posso entender como funciona hoje?”
Saída O próximo passo que encerra a etapa Reunião agendada, proposta combinada, contrato enviado

As falas de exemplo servem de referência. O vendedor adapta ao seu jeito, desde que cumpra o objetivo, faça as perguntas obrigatórias e termine com a saída definida.

Modelo de script de vendas por etapa

Os modelos abaixo foram pensados para venda consultiva B2B ou de serviços, em que há pelo menos uma conversa antes da proposta. Troque os trechos entre colchetes pelo seu contexto.

Etapa 1: abordagem

Objetivo: conseguir atenção e um próximo passo (uma conversa de qualificação), não vender.

Script de vendas por telefone:

  1. Apresentação e permissão: “Oi, [nome], aqui é [seu nome], da [empresa]. Tudo bem? Tem um minuto para eu te dizer por que liguei?”
  2. Motivo específico: “Vi que [gatilho: vocês abriram vagas, inauguraram uma filial, lançaram um produto]. Quando isso acontece, é comum aparecer [problema que você resolve].”
  3. Pergunta aberta: “Isso está acontecendo por aí, ou já está resolvido?”
  4. Próximo passo: “Faz sentido a gente conversar 20 minutos na [dia] para eu entender melhor como vocês fazem hoje?”

Se a resposta for “não tenho interesse”, não insista no produto. Pergunte o motivo: “Entendo. É porque já resolveram isso de outra forma ou porque não é prioridade agora?”. A resposta diz se o contato volta para a lista de retomada ou sai dela.

Versão para WhatsApp:

Oi, [nome], tudo bem? Aqui é [seu nome], da [empresa]. Vi que [gatilho]. Costumo conversar com empresas nesse momento sobre [problema]. Faz sentido falarmos 20 minutos esta semana?

Uma mensagem, uma pergunta, sem áudio e sem anexo. Os detalhes de cadência, lista e canal estão no guia de prospecção de clientes.

Para descobrir qual abertura funciona no seu mercado, teste uma variável por vez: primeiro o gatilho citado, depois a forma de pedir a reunião. Use cada versão com um número parecido de contatos do mesmo perfil e compare a taxa de reunião agendada. Trocar várias coisas ao mesmo tempo impede de saber o que fez diferença.

Etapa 2: qualificação

Objetivo: decidir, com critério, se vale investir tempo nessa oportunidade. A etapa termina com quatro respostas: dor, decisor, orçamento e prazo.

Abertura: “Para não tomar seu tempo com algo que não faz sentido, posso te fazer algumas perguntas rápidas sobre como vocês trabalham hoje?”

Perguntas obrigatórias:

Critério Pergunta sugerida Sinal de oportunidade qualificada
Dor “O que hoje não está funcionando como você gostaria em [área]?” O cliente descreve o problema com as próprias palavras
Impacto “Quanto isso custa hoje, em dinheiro, tempo ou clientes perdidos?” Existe um número, mesmo que aproximado
Decisor “Além de você, quem participa de uma decisão como essa?” Nome e papel de cada pessoa envolvida
Orçamento “Vocês já têm uma faixa de investimento pensada para resolver isso?” Faixa compatível com o seu preço, ou abertura para discutir
Prazo “Existe alguma data que torna isso mais urgente?” Um evento concreto: safra, contratação, meta do trimestre

Fechamento da etapa: “Pelo que você me contou, faz sentido a gente aprofundar. Vamos marcar [data] com você e [decisor] para eu entender o cenário completo e te mostrar como resolveríamos?”

Se uma das quatro respostas for negativa, o contato não é descartado: vai para uma cadência de nutrição, com data para retomar. O importante é não empurrar para a próxima etapa uma oportunidade sem decisor ou sem prazo, porque ela vai ficar parada no funil, distorcendo a previsão. O guia de funil de vendas mostra como definir esses critérios de passagem.

Etapa 3: apresentação

Objetivo: mostrar a solução ligada ao problema que o cliente descreveu, não apresentar a empresa inteira.

A estrutura que funciona tem três blocos, nessa ordem:

  1. Recapitulação: “Antes de começar, deixa eu confirmar o que entendi. Hoje vocês [situação atual], isso gera [problema] e custa algo como [impacto que o cliente falou]. Prioridade é resolver até [prazo]. Está certo? Faltou alguma coisa?”
  2. Solução por problema: para cada problema citado, uma parte da solução. “Você comentou que [problema 1]. Para isso, a gente faz [parte da solução], e o resultado é [o que muda para o cliente].”
  3. Checagem: “Até aqui, isso responde ao que você precisa? O que ficou de fora?”

Duas regras práticas:

  • Fale do que o cliente disse, com as palavras dele. Se ele falou “o time não segue processo”, use “o time não segue processo”, e não “falta de padronização da jornada comercial”.
  • Corte o que não responde a nenhum problema citado. Funcionalidade que o cliente não pediu vira mais um item para ele questionar no preço.

Se a recapitulação for corrigida pelo cliente (“na verdade, o problema maior é outro”), pare e volte às perguntas da qualificação. Apresentar em cima de um diagnóstico errado é o caminho mais curto para ouvir “vou pensar”.

Etapa 4: fechamento

Objetivo: levar o cliente a uma decisão (sim, não ou uma data concreta para decidir) e combinar os passos práticos.

Pergunta de fechamento direta: “Pelo que conversamos, faz sentido começarmos em [data]?”

Fechamento por próximo passo, quando a decisão envolve outras pessoas: “O que precisa acontecer, do seu lado, para a gente começar em [data]? Quem mais precisa ver a proposta?”

Fechamento por alternativa, quando há opções de escopo: “Para o que você precisa, as duas opções fazem sentido. Você prefere começar pela [opção A], mais completa, ou pela [opção B], para testar primeiro?”

Quando o cliente diz sim, o script continua: “Ótimo. Então o próximo passo é [contrato, pagamento, reunião de início]. Te mando hoje até [hora] e marcamos [data] para começar. Quem do seu lado vai acompanhar a implantação?”

Quando aparece uma objeção, ela entra aqui. A regra é entender antes de responder: “Entendo. Me ajuda a entender melhor: o que exatamente pesa nessa decisão?”. O pilar de vendas traz uma tabela com as objeções mais comuns e como conduzir cada uma.

Um ponto onde muitos vendedores travam é a própria pergunta de fechamento: apresentam bem e terminam com “qualquer dúvida, estou à disposição”, sem pedir a decisão. Para verificar no seu time, ouça algumas gravações de reuniões de apresentação e conte em quantas o vendedor fez a pergunta direta ou combinou uma data para a decisão. Onde ela não aparece, o treino é simples: ensaiar a frase de fechamento em simulação até ela sair natural.

Script de vendas por telefone e por WhatsApp: o que muda

A estrutura das quatro etapas vale para os dois canais. O que muda é a forma:

Aspecto Telefone WhatsApp
Atenção Você tem segundos para justificar a ligação O cliente lê quando quiser, e pode não responder
Perguntas Várias em sequência, adaptando na hora Uma por mensagem, esperando a resposta
Tamanho Falas curtas, conversa longa Mensagens de duas a quatro linhas
Tom Mais próximo do presencial Mais informal, mas sem abreviações nem excesso de emoji
Fechamento Pedido verbal e confirmação por escrito em seguida Pedido por escrito, com link ou documento logo depois
Registro Precisa ser feito à mão no CRM O histórico fica na conversa, mas também precisa ir para o CRM

Um ponto que costuma passar despercebido: no WhatsApp, a qualificação inteira por mensagem tende a cansar o cliente. Use o WhatsApp para abrir e agendar, e faça a qualificação e a apresentação por ligação ou vídeo. O guia de vendas pelo WhatsApp traz mensagens prontas para cada etapa nesse canal.

Como criar o seu script em 6 passos

  1. Escute as melhores vendas. Grave ou acompanhe cinco a dez conversas que viraram venda, de preferência de vendedores diferentes. Anote como abriram, o que perguntaram e como pediram o fechamento.
  2. Escreva o objetivo e a saída de cada etapa. Antes de qualquer fala, defina o que precisa estar resolvido para a etapa terminar.
  3. Liste as perguntas obrigatórias. Comece pelas que mais aparecem nas vendas que deram certo e pelas que mais faltaram nas que deram errado.
  4. Escreva as falas de transição. Uma ou duas frases para abrir e fechar cada etapa. Menos é melhor.
  5. Teste com poucos contatos. Use o script por duas semanas, com parte do time, e registre onde a conversa travou.
  6. Ajuste e padronize. Corrija o que não funcionou, distribua a versão final e defina quando será a próxima revisão.

Um documento de duas a três páginas costuma bastar. Se o script passar disso, provavelmente tem texto para ler, e não roteiro.

Entre a primeira e a segunda versão, o que costuma mudar são as perguntas de qualificação (algumas se mostram desnecessárias, outras faltavam) e as falas de transição, que encurtam depois que o time as usa em conversas reais. Por isso, trate a primeira versão como rascunho de teste e marque a revisão já no dia em que distribuir o documento.

Checklist de um bom script de vendas

  • Cada etapa tem objetivo e saída definidos.
  • A abordagem cita um motivo específico para o contato, não só a apresentação da empresa.
  • A qualificação cobre dor, impacto, decisor, orçamento e prazo.
  • A apresentação começa recapitulando o que o cliente disse.
  • Toda etapa termina com um próximo passo com data.
  • Há uma versão para telefone e outra para WhatsApp.
  • As objeções mais frequentes têm uma condução combinada.
  • O documento cabe em até três páginas.
  • Há data marcada para a próxima revisão.

Como treinar o time no script

Distribuir o documento não basta. Para o script virar prática, três hábitos funcionam:

  • Simulação semanal. Em duplas, um faz o cliente e o outro o vendedor, com objeções reais da semana. Quinze minutos por dupla já mostram quem pula etapas.
  • Escuta de gravações. O gestor ouve algumas ligações por vendedor por semana e comenta com base no script: qual pergunta faltou, onde a conversa perdeu o rumo.
  • Registro no CRM por etapa. Se o CRM tem campos para dor, decisor, orçamento e prazo, o vendedor que pulou a qualificação aparece na hora, sem precisar ouvir a ligação.

Em times com divisão entre quem prospecta e quem fecha, cada função fica com as etapas que conduz: o SDR com abordagem e qualificação, o closer com apresentação e fechamento. O script é o que garante que a passagem entre os dois aconteça sem o cliente ter de repetir tudo.

Para medir o efeito do script, anote antes da implantação três indicadores: conversão de abordagem em reunião, de reunião em proposta e de proposta em venda. Compare com os mesmos indicadores dois e três meses depois, olhando por vendedor. Se a conversão melhora para quem segue o script e não para quem o ignora, o problema deixa de ser o roteiro e passa a ser a adoção.

Erros mais comuns

Script longo demais. Se o vendedor precisa olhar o papel a cada frase, o cliente percebe. Corte até sobrar só o essencial.

Começar falando da empresa. “A [empresa] tem [X] anos de mercado e atende…” é a forma mais rápida de perder a atenção. O cliente quer saber por que você ligou para ele.

Pular a qualificação para chegar logo na proposta. A proposta sem qualificação vira comparação de preço, e o vendedor passa a semana correndo atrás de quem nunca ia comprar.

Não atualizar. Produto, preço e cliente mudam. O script precisa mudar junto, com base no que aparece nas conversas.

Tratar o script como regra rígida. Se o cliente já respondeu a uma pergunta sem ser perguntado, não pergunte de novo. O objetivo da etapa importa mais que a ordem das falas.

O script cuida da conversa. O que vem antes dela (de onde vêm os contatos) e o que vem depois (proposta, follow-up e previsão) estão no guia de processo comercial.

Perguntas frequentes

Script de vendas deixa o vendedor robotizado?

Só quando é usado como texto para ler. Um bom script define a sequência da conversa, as perguntas obrigatórias e as frases-chave de transição. O vendedor fala com as próprias palavras, mas não esquece nenhuma etapa. O robotizado aparece quando o script é longo demais e o vendedor tenta decorar tudo.

Qual a diferença entre script e roteiro de vendas?

Na prática, os termos são usados como sinônimos. Quando há diferença, roteiro costuma ser a estrutura da conversa (etapas e objetivos) e script, as falas sugeridas para cada etapa. O modelo deste artigo junta os dois: para cada etapa há objetivo, perguntas e falas de exemplo.

Script de vendas por telefone e por WhatsApp pode ser o mesmo?

A estrutura pode ser a mesma, mas as falas mudam. No telefone, o vendedor tem segundos para conseguir atenção e pode fazer perguntas em sequência. No WhatsApp, as mensagens precisam ser curtas, uma pergunta por vez, e o ritmo é ditado pelo cliente. Vale ter uma versão de cada.

De quanto em quanto tempo devo revisar o script?

Faça uma revisão rápida a cada mês, com base nas gravações e nas objeções registradas no CRM, e uma revisão completa quando mudar o produto, o preço ou o perfil de cliente. Script que não muda há um ano provavelmente já não reflete o que o time fala de verdade.

Preciso de um script diferente para cada vendedor?

Não. O script é um padrão do time, e é isso que permite comparar resultados e treinar gente nova. O que muda de pessoa para pessoa é o jeito de falar. Se um vendedor tem resultado bem melhor com uma fala diferente, a fala dele deve ser testada e, se funcionar, entrar no script de todos.

COO do Grupo VMX

Pedro Favaretto é COO do Grupo VMX, em Belo Horizonte, e responde pela operação que estrutura processos comerciais, geração de demanda e times de vendas de empresas clientes. Escreve sobre processo de vendas, marketing, tecnologia comercial e vendas por segmento.

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